A morte de Morgana Vieira Monteiro, de 45 anos, na noite desta segunda-feira, 27 de julho, na quadra 1503 Sul, em Palmas, nos obriga a encarar mais uma vez uma realidade dolorosa: a violência contra a mulher continua interrompendo vidas.
Morgana era profissional da enfermagem, servidora pública, mãe e uma mulher com uma história inteira pela frente.
Segundo as informações divulgadas pelas autoridades, Morgana foi vítima de feminicídio cometido pelo ex-marido, Lelito Tavares Barbosa, de 49 anos. Ela possuía medida protetiva de urgência contra ele.
Após o crime, Lelito fugiu e foi localizado pela Polícia Militar em uma área de mata próxima. De acordo com a PM, durante a abordagem ele efetuou disparos contra os policiais, que reagiram. Lelito foi atingido e morreu no local.
Mas, diante dessa tragédia, uma pergunta precisa permanecer:
Como uma mulher que já buscou proteção do Estado e possuía uma medida protetiva ainda pôde ser alcançada e morta pelo agressor?
A medida protetiva deveria representar uma barreira entre a ameaça e a vítima. Quando uma mulher denuncia, procura ajuda e consegue uma ordem judicial de proteção, ela está dizendo claramente: “Eu estou em risco.”
Precisamos discutir não apenas o crime depois que ele acontece, mas a capacidade da nossa rede de proteção de agir antes que seja tarde demais.
Morgana não pode ser lembrada somente pela forma como morreu.
Era uma mulher que cuidava de outras vidas. Era mãe, profissional e servidora pública. Tinha família, amigos, sonhos e futuro.
Que sua história provoque mais do que indignação. Que provoque mudanças, fiscalização efetiva das medidas protetivas, fortalecimento da rede de enfrentamento à violência e respostas rápidas diante de sinais de risco.
Por Morgana e por todas as mulheres que pedem proteção antes que seja tarde demais.
Chega de feminicídio.

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