Promovido pelo Ministério da Cultura (MinC), em parceria com o Instituto Federal do Pará (IFPA), o seminário segue até sexta-feira, 4
O Tocantins participa, a partir desta quarta-feira, 2 de setembro, do Seminário Regional Norte do Programa Nacional dos Comitês de Cultura (PNCC), realizado em Manaus (AM). O estado está representado pelo Comitê de Cultura no Tocantins, por meio do Assessor Geral de Mapeamento e Monitoria do Comitê de Cultura no Tocantins, o ator e diretor Justino Vettore que leva ao encontro experiências relacionadas ao trabalho de mapeamento cultural e atuação territorial desenvolvido no Tocantins.
Promovido pelo Ministério da Cultura (MinC), em parceria com o Instituto Federal do Pará (IFPA), o seminário segue até sexta-feira, 4, no Instituto Federal do Amazonas (IFAM) – Campus Manaus Centro. Com o tema “Pesquisa, extensão e políticas públicas de cultura”, a programação reúne representantes do MinC, dos Institutos Federais, dos Comitês de Cultura, Agentes Territoriais de Cultura e integrantes da sociedade civil dos estados da Região Norte.
A presença tocantinense possibilita não apenas acompanhar os debates nacionais e regionais, mas também colocar em circulação metodologias, conhecimentos e experiências construídos diretamente nos territórios do estado. Entre os assuntos que ganham destaque está a importância do mapeamento cultural como ferramenta para reconhecer quem produz cultura, onde estão esses agentes, quais são seus modos de atuação e quais desafios e potencialidades caracterizam cada território.
Para Justino Vettore, promover esse intercâmbio entre experiências locais é uma forma de fortalecer a própria produção cultural amazônica e fazer com que os conhecimentos construídos nos estados da Região Norte ocupem os espaços de formulação e discussão das políticas públicas. “Apresentar nossa metodologia e discutir, junto com outros fazedores de cultura, a relevância do mapeamento cultural no território brasileiro, em espaços de troca de conhecimentos como este seminário em Manaus, é valorizar cada fazer cultural do nosso país. Esse intercâmbio também contribui para a difusão do nosso fazer artístico e cultural do Norte, respeitando, reconhecendo e promovendo o nosso território”, destaca Justino Vettore.
Território também produz conhecimento
A própria concepção do seminário parte do reconhecimento de que os territórios amazônicos não devem ser compreendidos somente como lugares onde políticas públicas são executadas, mas como espaços produtores de saberes, experiências, tecnologias sociais e evidências capazes de contribuir para o aprimoramento da gestão pública da cultura. O encontro foi estruturado para favorecer a troca de aprendizados, a divulgação de boas práticas e a construção de soluções para desafios encontrados nas diferentes realidades da Região Norte.
Nesse contexto, a experiência apresentada pelo Tocantins dialoga diretamente com um dos eixos centrais do encontro: “O território: onde a política acontece e onde o conhecimento é produzido”, que reúne discussões sobre territórios, cartografias sociais e diversidade cultural. Os demais eixos tratam da participação social e dos direitos culturais; gestão, governança e avaliação das políticas públicas; e formação, extensão e inovação para as políticas de cultura e educação.
O mapeamento ocupa lugar estratégico dentro do próprio Programa Nacional dos Comitês de Cultura. Entre os objetivos definidos pelo Ministério da Cultura para os Comitês está justamente contribuir para o mapeamento e cadastro permanente de organizações e pessoas que atuam na área cultural, além de ampliar o acesso às políticas públicas, realizar ações de mobilização, formação, comunicação, apoio aos trabalhadores da cultura e fortalecimento da participação social.
Para o Comitê de Cultura no Tocantins, a participação no seminário também representa uma oportunidade de mostrar uma Região Norte diversa, cuja produção cultural ultrapassa as capitais e se manifesta em comunidades urbanas e periféricas, municípios do interior, comunidades rurais, territórios indígenas, quilombolas e tradicionais. A circulação dessas experiências contribui para que políticas culturais nacionais sejam pensadas considerando não apenas indicadores gerais, mas também as particularidades de quem vive e produz cultura nos territórios amazônicos.
O coordenador-geral do Comitê de Cultura no Tocantins, Kaká Nogueira, destaca que a participação no seminário fortalece a articulação entre os estados da Região Norte e permite que experiências desenvolvidas no Tocantins contribuam para o aperfeiçoamento das políticas culturais em âmbito nacional. “Estar em um espaço como o Seminário Regional Norte é fundamental para mostrarmos que o Tocantins produz metodologias, conhecimento e experiências que nascem da relação direta com os territórios e com os fazedores de cultura. Essa troca com os demais estados fortalece o Programa Nacional dos Comitês de Cultura e reafirma a importância de construirmos políticas públicas a partir da escuta, da diversidade e das realidades locais. Ao mesmo tempo em que compartilhamos o que temos realizado, voltamos para o estado com novos aprendizados e conexões que qualificam ainda mais a nossa atuação”, afirma Kaká Nogueira.
Troca de experiências de toda a Região Norte
Ao longo dos três dias, o Seminário Regional Norte conta com palestras, mesas-redondas, oficinas, apresentações de trabalhos, atividades culturais, exposições e experiências de cartografia. Os participantes puderam submeter relatos de experiência, pesquisas científicas, ensaios, cartografias culturais, sociais e afetivas, produtos técnicos e tecnológicos, mapeamentos, diagnósticos e relatos de registros audiovisuais.
PNCC aproxima políticas públicas dos territórios
Instituído pelo Ministério da Cultura em 2023, o Programa Nacional dos Comitês de Cultura foi criado para ampliar o acesso da população às políticas públicas culturais, fortalecer a democracia participativa e aproximar a atuação do Governo Federal das diferentes realidades culturais do país. Sua implementação ocorre por meio de redes formadas por Comitês de Cultura, Agentes Territoriais de Cultura, organizações da sociedade civil e instituições parceiras.
No Tocantins, a rede do PNCC tem como organização celebrante a Federação Tocantinense de Artes Cênicas (Fetac) e conta com o Instituto Social e Cultural Araguaia (Isca) e a Associação Gurupiense de Artesãos (AGA) entre as organizações parceiras. Essa estrutura busca ampliar a presença territorial das ações e fazer com que informação, formação e oportunidades relacionadas às políticas culturais alcancem diferentes regiões do estado.
Fonte: Cinthia Abreu

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