Projeto da Cunhã Filmes em parceria com o Instituto por Elas e Por Nós percorre comunidades quilombolas e rurais com oficinas de interpretação para o audiovisual ligadas à preparação do longa-metragem “Luziléia – O Sertão em Meus Olhos”
O próximo rosto do cinema tocantinense pode estar em uma escola, em uma comunidade tradicional, em uma praça ou em algum dos muitos caminhos que atravessam o Jalapão. É apostando nessa possibilidade que as Oficinas Petrobras de Audiovisual estão percorrendo, desde o início o mês de agosto, municípios do interior do Tocantins. O projeto já circulou em aldeias indígenas, comunidades rurais e quilombolas do interior do Tocantins e atende nesta semana comunidades do interior do Jalapão.
A circulação atendeu, neste mês, as comunidades quilombolas de Boa Esperança e Prata e também moradores da cidade de São Félix, em uma iniciativa que une formação, escuta, pesquisa de território e descoberta de novos talentos. Mais de 100 pessoas já participaram das atividades, entre crianças, adolescentes, jovens e adultos, com idades que vão dos 3 aos 50 anos de idade. A proposta é levar formação em interpretação para o audiovisual diretamente às comunidades e, ao mesmo tempo, identificar talentos que possam futuramente integrar produções cinematográficas realizadas no estado.
A realização é do Instituto Cunhã Porã e do Instituto Por Elas e Por Nós, com patrocínio da Petrobras, por meio da Lei do Audiovisual/Ancine e Ministério da Cultura. As oficinas fazem parte do processo de preparação do longa-metragem “Luziléia – O Sertão em Meus Olhos”, filme de ficção da cineasta tocantinense Eva Pereira, da Cunha Porã Filmes, contemplado também na Lei Paulo Gustavo, via Secretaria Estadual da Cultura.
Onde existe gente, existem histórias
De acordo com Eva Pereira, da Cunhã Porã Filmes, mais do que anteceder as filmagens, a ação foi pensada como parte de uma estratégia de formação de mão de obra, mapeamento de novos intérpretes e fortalecimento da cadeia produtiva do audiovisual no Tocantins.
Durante a circulação, os participantes vivenciam exercícios de interpretação para câmera, expressão corporal, improvisação, construção de personagens, presença cênica e escuta. “Para muitos deles, é o primeiro contato com técnicas específicas da atuação para cinema. Mas o trabalho não termina quando a oficina acaba. A equipe também realiza visitações, encontros e momentos de escuta nos territórios, conhecendo moradores, modos de vida, histórias locais e manifestações que ajudam a compreender mais profundamente cada comunidade”, afirma a cineasta.
Essa aproximação faz parte da própria concepção de “Luziléia – O Sertão em Meus Olhos”: um filme que pretende dialogar com o território não apenas como cenário, mas como espaço vivo, formado por pessoas, memórias e identidades. Eva Pereira complementa ainda que circular pelo interior é também uma forma de mudar a lógica de acesso ao cinema. “Normalmente, as pessoas precisam sair de suas cidades e comunidades para buscar oportunidades. Neste projeto, estamos fazendo o caminho contrário: estamos indo até os territórios para conhecer quem está ali, formar, ouvir e descobrir talentos. O cinema também precisa chegar onde essas pessoas estão”, afirma.
Segundo Eva, os encontros no Jalapão já revelam a força dessa proposta. “Estamos falando de mais de 100 participantes, dos 3 aos 50 anos. Cada pessoa chega com um repertório, um jeito de falar, um corpo, uma memória e uma maneira própria de contar histórias. O que estamos fazendo é criar espaço para que elas percebam que tudo isso também pode estar no cinema”, destaca.
Comunidade
A presença de crianças, adolescentes, jovens e adultos nas oficinas amplia também a percepção de que a formação audiovisual pode começar em diferentes momentos da vida. Ao longo das atividades, não se busca apenas ensinar técnicas de interpretação, mas estimular autonomia, confiança, percepção corporal, criatividade e capacidade de se comunicar diante de uma câmera. Além disso, o projeto mapeia trabalho de mão de obra nas comunidades, de forma a ampliar o leque de profissionais em áreas como cattering, camarim, produção executiva e outros.
A atriz Giselle Itié, que integra a equipe das oficinas, destaca justamente a riqueza encontrada nos encontros com os participantes. “Existe uma espontaneidade muito bonita nas pessoas que estamos conhecendo. Muitas delas nunca fizeram uma oficina de interpretação e, ainda assim, chegam com uma presença, uma verdade e uma potência muito fortes. O talento não está concentrado nos grandes centros. Ele existe em todo lugar. O que muitas vezes falta é oportunidade”, afirma.
Para Giselle, visitar e escutar as comunidades também é uma etapa essencial. “Quando entramos em um território, precisamos primeiro observar e ouvir. Antes de querer contar uma história sobre um lugar, é importante conhecer quem vive ali. Essa escuta transforma o nosso olhar e também transforma o próprio trabalho artístico”, acrescenta.
Formação que pode chegar ao set
As oficinas possuem uma relação direta com a preparação de “Luziléia – O Sertão em Meus Olhos”. O projeto prevê que o processo de formação e mapeamento ajude a identificar atores, atrizes e novos talentos das próprias comunidades, criando possibilidades de aproximação com o longa e com futuras produções audiovisuais no Tocantins.
A diretora de Cultura de São Félix do Tocantins, Cleia Siqueira, falou da satisfação de receber a Oficina Petrobras Audiovisual n omunicípio. “Para mim, como diretora de Cultura, é uma grande felicidade ver uma oportunidade como essa chegar até a nossa cidade. Sabemos o quanto é importante trazer conhecimento, cultura e novas experiências para perto da nossa população, principalmente para os nossos adolescentes e jovens, que muitas vezes têm poucas oportunidades de conhecer e aprender sobre o mundo do audiovisual, do cinema e da televisão. Essa oficina não representa apenas um momento de aprendizado. Ela abre portas, desperta sonhos, apresenta novos caminhos e mostra aos nossos jovens que eles também podem ocupar esses espaços, contar suas próprias histórias e mostrar a riqueza da nossa gente, da nossa cultura e do nosso Jalapão”, concluiu.
Oficinas Petrobras de Audiovisual – Circulação Jalapão
Período: Setembro de 2026
Participantes já atendidos: Mais de 100 pessoas
Faixa etária: De 3 a 50 anos
Público: Crianças, adolescentes, jovens e adultos
Atividade principal: Oficinas de interpretação para o audiovisual
Objetivos: Formação de mão de obra, mapeamento de talentos e aproximação das comunidades com a cadeia produtiva do audiovisual
Ações complementares: Visitações, vivências e escuta nos territórios
Projeto cinematográfico: “Luziléia – O Sertão em Meus Olhos”
Direção: Eva Pereira
Realização: Instituto Cunhã Porã e Instituto Por Elas e Por Nós
Patrocínio: Petrobras
Por meio da: Lei do Audiovisual/Ancine – Ministério da Cultura
O longa-metragem conta também com recursos do: Edital da Lei Paulo Gustavo do Tocantins – Secretaria da Cultura do Estado do Tocantins
Fonte: Cinthia Abreu

DEIXE O SEU COMENTÁRIO