Circulação do espetáculo passou por Cidade Tiradentes, Cangaíba e Jardim João XXIII e marcou também os cinco anos da montagem protagonizada pelas palhaças Tapioca e Girassol
Depois de celebrar seus 17 anos de trajetória no Tocantins, a Trupe-Açu Cia de Circo atravessou novas fronteiras e levou o espetáculo “As Charlatonas” para São Paulo. A circulação pela capital paulista reuniu apresentações em diferentes territórios da cidade e marcou um novo capítulo da história da companhia, criada em Taquaruçu e dedicada há quase duas décadas à pesquisa em circo, palhaçaria, cultura popular e protagonismo feminino.
A passagem por São Paulo aconteceu entre os dias 14 e 19 de outubro, com apresentações no Palombar, em Cidade Tiradentes; na Lona Miss Jujuba, no Teatro Flávio Império, na Cangaíba; e no CEU Uirapuru, no Jardim João XXIII.
A circulação ocorreu em um momento especialmente simbólico: além dos 17 anos da Trupe-Açu, “As Charlatonas” completa cinco anos de trajetória, consolidando-se como um dos trabalhos que representam o amadurecimento da pesquisa da companhia sobre comicidade e palhaçaria feminina.
Em cena, as palhaças Tapioca e Girassol transformam invenções, encontros, conflitos e situações inesperadas em matéria-prima para o riso. Entre uma descoberta e outra, o espetáculo apresenta histórias de mulheres cientistas, inventoras e personagens importantes para a sociedade que, muitas vezes, tiveram suas contribuições apagadas ou pouco reconhecidas.
Com humor, interação com o público e a linguagem da palhaçaria, a montagem coloca o protagonismo feminino no centro da cena sem abrir mão da leveza e da comicidade. Para a artista Ester Monteiro, chegar a São Paulo com uma obra construída no Tocantins é também uma forma de celebrar a permanência e o amadurecimento artístico da Trupe-Açu. “Estar em São Paulo com ‘As Charlatonas’ depois de 17 anos de caminhada tem um significado muito grande. Não estamos levando apenas um espetáculo. Estamos levando tudo o que construímos nesse tempo: nossa pesquisa, nossa forma de fazer circo, nossa relação com o território e a escolha de continuar produzindo a partir do Tocantins. É muito bonito perceber que uma história que começa em Taquaruçu pode chegar a outros lugares, encontrar outros públicos e continuar se transformando”, destaca.
Uma companhia do Norte ocupando novos circuitos
A chegada a São Paulo representa uma nova etapa de uma trajetória que já acumula extensa experiência de circulação. Ao longo dos anos, a Trupe-Açu percorreu diferentes estados e regiões brasileiras, levando seus espetáculos a públicos diversos e construindo uma atuação que combina criação artística, circulação, formação e ações desenvolvidas diretamente nos territórios. A companhia já passou por mais de nove estados, além de cidades como Rio de Janeiro e Recife, e participou de circuitos importantes, entre eles o Sesc Amazônia das Artes, representando o Tocantins.
Para Giovana Kurovski, ocupar esses espaços significa também colocar em evidência a produção artística realizada no Norte brasileiro. “Existe uma concentração muito grande de oportunidades e de visibilidade nos grandes centros culturais. Quando uma companhia que nasce e permanece no Norte chega a São Paulo depois de tantos anos de trabalho, isso também é uma afirmação. A gente chega trazendo uma linguagem própria, muita estrada e a certeza de que o circo produzido no Tocantins tem qualidade, potência e precisa ocupar esses circuitos. Queremos que essa passagem também ajude a abrir caminhos para outros artistas e companhias do Norte”, afirma.
17 anos fazendo circo a partir do Tocantins
Criada em 2009, a Trupe-Açu construiu sua trajetória tendo Taquaruçu, no Tocantins, como território de criação. Nesse percurso, realizou espetáculos, cabarés, oficinas, intervenções, projetos de formação e ações de circulação. Entre os trabalhos que fazem parte dessa história estão “As Charlatonas”, “Circo no Jalapão”, “Cabaré Mama Cadela”, “Circo Cine Trupe-Açu” e “A Ciranda da Quebradeira”.
“As Charlatonas”: cinco anos de invenções e palhaçaria
Criado há cinco anos, “As Charlatonas” acompanha as personagens Tapioca e Girassol, duas palhaças que trabalham vendendo invenções. As relações entre as personagens, suas tentativas, descobertas e atrapalhadas experiências criam situações cômicas que servem de caminho para apresentar histórias de mulheres que contribuíram para a ciência, para as invenções e para diferentes áreas da sociedade.
Ao recuperar essas trajetórias por meio do riso, o espetáculo questiona apagamentos históricos e chama atenção para a importância da participação feminina na construção do conhecimento e da sociedade. Ao mesmo tempo, mantém aquilo que está no centro da pesquisa da Trupe-Açu: a potência do encontro provocado pelo circo e pela palhaçaria.
Projeto
O projeto de Circulação foi aprovado pelo Promic – Programa Municipal de Incentivo à Cultura, da Fundação Cultural de Palmas, com recursos do Fundo de Apoio à Cultura da Prefeitura Municipal de Palmas (FCP).
Fonte: Cinthia Abreu

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