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    Nada Sobre Nós Sem Nós: os desafios de incluir culturas afro-brasileiras e indígenas na educação

    Por Núbia Dourado15 de junho de 20233 minutos de leitura
    Foto: Victor Vecone/ MinC

    A intersecção da cultura e educação é poderosa”, analisa a docente da Universidade de Brasília (UNB), Éllen Daiane Cintra. Especialista em formação inicial e continuada de professores para as relações étnico-raciais, a educadora participou do primeiro painel de debates do Seminário Nacional de Cultura e Educação: Aprender para Construir, promovido pelo MEC em parceria com o MinC.

    A primeira rodada de debates, realizada na tarde de quarta-feira (14), em Brasília, foi chamada “Nada sobre nós sem nós” – Ensino da História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena.

    Foco do painel, a união entre Cultura e Educação, envolvendo histórias de comunidades afro-brasileiras e indígenas ainda enfrenta desafios, como a necessidade de compreender a barreira para a implementação da legislação aprovada, mas não efetivada de duas leis. A n° 11.645/08 e a nº 10.639/03 – que tratam da inclusão desta temática no currículo base da rede de ensino.

    “Nesse momento, construímos bases para subverter uma ordem de violência, genocídio, epistemicídio, que vem seguindo há séculos. Estamos falando de muitos anos de expropriação e de respostas dos movimentos negros, dos indivíduos negros, das irmandades, coletivos, professoras e professores e de todas as pessoas que atuam no processo educativo de forma ampliada”, observou Éllen.

    Ampliando a reflexão, a professora-adjunta da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Cristina Sacramento lembrou: as instituições de ensino, por muito tempo, apresentavam discursos restritivos em relação aos negros. “A legislação busca romper essa narrativa única que vai se cristalizando historicamente e atravessando a representação que fazemos dos grupos sociais diferentes de nós. Coloca para nós esse desafio de reelaborar, de reconstruir, ressignificar essa história. Sobretudo, com a nossa participação. Deixamos de ser objeto de estudo da narrativa do outro para assumir o lugar do protagonismo e dizer sobre nós mesmos”.

    Professor na Faculdade Intercultural Indígena (FAIND), no Mato Grosso do Sul, Eliel Benitez celebrou seu envolvimento na busca pela implementação de aprendizados de culturas, grupos indígenas e afro-brasileiros. Conhecido como Chirley Pankará, o educador tem experiência na formação de professores indígenas.

    Benitez lançou uma reflexão sobre como podemos contribuir para que “toda diversidade de cultura dos povos indígenas seja pensada como política pública, de Estado”.

    Severiá Idionie Karajá, mestra em Educação pela Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), ressaltou a necessidade de incluir nas reflexões o fato de sermos um povo miscigenado. “As questões permeiam uma nova construção, ou melhor, um ajuste para novos passos. Quando falamos de educação, trazemos, aqui, diretamente a transformação de uma nação”, assinalou.

    Pedagoga e mediadora do Painel, Flávia Costa destacou ter a educação afro-brasileira uma peculiaridade, para além dos estereótipos que o processo racista nos trouxe. Em defesa de uma educação afetiva e humana, Flávia defende o enfrentamento do desafio de criar instrumentos que positivem ações em busca do desenvolvimento do País, envolvendo costumes, “pensares” e como nos colocamos diante desse obstáculo.

    Os debates do Seminário Nacional de Cultura e Educação seguem com atividades até na sexta-feira, dia 16.

    * Com informações do Ministério da Cultura

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