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    Agenda Cultural

    Dia do Circo é celebrado com incentivo à arte e à cultura

    RedaçãoPor Redação27 de março de 20266 minutos de leitura
    Cia. de Circo Os Kaco, em Taquaruçu (Palmas), é referência na formação, difusão e fortalecimento da arte circense no Tocantins - Créditos: Kadu Souza/ Governo do Tocantins
    Em todo o tocantins,  grupos e artistas mantêm viva a linguagem circense no estado, ao aliar  tradição, educação e transformação social

    A Secretaria da Cultura do Tocantins (Secult) celebra o Dia Nacional do Circo neste 27 de março, data dedicada à valorização de uma das linguagens artísticas mais completas e populares do mundo. No Tocantins, essa arte não se limita apenas ao espetáculo sob a lona; ela se acende como uma expressão cultural, presente em espaços estruturados, ações comunitárias e projetos de formação que movimentam a economia criativa de ponta a ponta do estado.

    No Brasil o dia foi escolhido em homenagem ao nascimento de Abelardo Pinto, conhecido como o palhaço Piolin, nascido nesta data em 1897. O artista foi um dos maiores palhaços brasileiros, famoso na década de 1920 por seu talento em contorcionismo, acrobacias e humor.

    O secretário de Estado da Cultura, Adolfo Bezerra, parabenizou a classe destacando a importância das iniciativas executadas durante a gestão do governador Wanderlei Barbosa e se colocou à disposição para desempenhar um papel estratégico na democratização do acesso aos recursos.

    “Parabenizamos todos os profissionais da cultura circense que, com dedicação, talento e resistência, mantêm essa arte viva em todo  estado.  São trabalhadores que contribuem diretamente para a formação cultural da população e para o fortalecimento das nossas identidades locais. A Secretaria da Cultura segue empenhada em ampliar o acesso às políticas públicas de fomento, garantindo que o circo, em suas diversas formas de expressão,  tenha condições de produzir, circular e desenvolver seus projetos, e continue crescendo para alcançar cada vez mais tocantinenses”, destacou.

    Embora o palhaço seja a figura mais relacionada ao tema, a arte circense é sustentada por uma rede multidisciplinar de profissionais. O espetáculo ganha forma por meio da técnica de malabaristas, acrobatas, pernaltas e equilibristas, que exigem preparo físico de alto rendimento e treino diário. Nos bastidores, a estrutura depende de produtores culturais, técnicos de som e luz, montadores e cenógrafos, que garantem a segurança e a estética das apresentações, seja sob a lona ou na rua.

    No Tocantins, a linguagem circense também se destaca como ferramenta de formação. Oficinas, projetos sociais e atividades educativas  que utilizam o circo para desenvolver habilidades como disciplina, trabalho em equipe, coordenação motora e expressão artística, especialmente entre crianças e jovens.

     

    O único circo fixo do estado

    Um dos principais exemplos é o Ponto de Cultura Cia. de Circo Os Kaco, localizado no distrito de Taquaruçu, em Palmas. Fundada originalmente em 2009, a companhia se estabeleceu na serra tocantinense em 2013, onde fundou o Centro Cultural Circo Os Kaco, o único circo fixo do estado. Certificado como Ponto de Cultura desde 2015, o grupo atua na democratização do acesso à cultura por meio de apresentações, oficinas e eventos de grande porte.

    O trabalho da companhia vai além do entretenimento, une a arte do picadeiro ao conceito de sustentabilidade. No projeto PermaCirco, a Cia Os Kaco aplica práticas de permacultura, bioconstrução e agroecologia ao seu cotidiano, o que gera educação ambiental para a comunidade e visitantes. Além disso, o Ponto de Cultura é o realizador do Festival de Circo de Taquaruçu, que já alcançou sua 12ª edição em 2025. O evento anual atrai artistas do mundo inteiro e já reuniu milhares de espectadores, transformando Taquaruçu em um polo circense de destaque na  região Norte.

    O espaço físico do centro cultural é projetado para ser inclusivo, com acessibilidade arquitetônica e atividades voltadas ao Circo Social. Semanalmente, crianças e jovens da comunidade participam de aulas de técnicas circenses, capoeira angola e percussão, utilizando a arte como ferramenta de transformação social e cidadania. Atualmente, a gestão é composta por uma equipe multidisciplinar que mantém o local ativo com uma programação regular de espetáculos e vivências que conectam cultura, natureza e inclusão.

    Além das atividades sociais, a sede abre aos finais de semana com o Circo Adventure, permitindo que visitantes vivenciem oficinas recreativas de malabares e técnicas aéreas em contato com a natureza.

     

    Trupe Itinerante 

    A diversidade da produção circense tocantinense também se expressa em grupos itinerantes, como a Trupe-Açu. Sediada no distrito de Taquaruçu, a companhia de circo e teatro de rua se destaca pela palhaçaria feminina unida à cultura popular. O coletivo tem como figuras centrais as artistas Ester Monteiro, que dá vida à Palhaça Tapioca, e Giovana Kurovski, intérprete da Palhaça Girassol. O grupo utiliza o circo como ferramenta de ocupação do espaço público, tendo como um de seus símbolos a Kombi 97, um veículo adaptado que funciona como casa, camarim, palco e cineclube ambulante,  que permite que a trupe leve seus espetáculos a comunidades de difícil acesso em todo o Tocantins e em outros estados brasileiros.

    O trabalho da Trupe-Açu é profundamente conectado às raízes regionais e ao protagonismo das mulheres nas artes circenses. Entre suas criações mais recentes está o espetáculo “Ciranda das Quebradeiras”, que homenageia as quebradeiras de coco babaçu misturando elementos da palhaçaria e tradições afro-indígenas. Além disso, a obra ‘As Charlatonas’, que utiliza a comicidade para dar visibilidade a inventores e cientistas, mulheres cujas histórias foram apagadas pelo tempo. O grupo também assina a realização do ‘Cabaré Mama Cadela’, um evento que reúne artistas mulheres para vivências e apresentações de variedades, fortalecendo a rede da palhaçaria feminina no norte do país

    Ao refletir sobre a trajetória do grupo e o significado da data, Ester Monteiro, a Palhaça Tapioca, destaca que o trabalho é fruto de uma construção coletiva e territorial.

    “São 17 anos dedicados ao circo no Tocantins com a Trupe-Açu, atuando de forma itinerante e mantendo viva a arte da palhaçaria. É uma honra seguir levando alegria com responsabilidade, estudo e compromisso com o nosso território. Para nós, isso representa resistência e memória. A data celebra a vida de Piolin, uma grande referência, e nos convida a refletir sobre a importância de continuar preservando e fortalecendo a nossa arte. O circo é um espaço democrático e de encontro; a palhaçaria dialoga com o território, valoriza as tradições locais e traz reflexão. É uma forma de fortalecer vínculos e reconhecer as histórias de cada lugar,” comentou Ester.

    O público terá a oportunidade de conferir de perto o talento da TrupeAçu em duas apresentações especiais com o espetáculo ‘A Ciranda das Quebradeiras’, ambas no sábado, 28. A primeira acontece às 10h, na sede do Ponto de Cultura Unidos Por Um Mundo Melhor (UPMM), no Jardim Aureny I.  Já às 18h, o grupo se apresenta na II Feira Estadual da Reforma Agrária (MST), realizada no Espaço Cultural José Gomes Sobrinho, em Palmas.

    Fonte: Assessoria de comunicação da Secretaria da Cultura do Tocantins (Secult)

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