A cultura hip-hop, nascida nas periferias como expressão de resistência, arte e consciência social, começa a ocupar oficialmente o centro das políticas públicas educacionais no Brasil. O Ministério da Educação (MEC) está estruturando a Escola Nacional do Hip-Hop (H2E), iniciativa da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (SECADI), que propõe transformar o rap, o grafite, o break e o DJ em ferramentas pedagógicas dentro das escolas públicas.
Construído a partir do diálogo com o movimento hip-hop de todo o país, o projeto busca fortalecer a educação antirracista e ampliar o acesso de jovens periféricos, quilombolas, indígenas e estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) a práticas de ensino mais conectadas com suas realidades culturais.
A proposta integra a Política Nacional de Equidade e Educação para as Relações Étnico-Raciais e já iniciou reuniões técnicas para a implementação de um programa piloto nacional ainda este ano.
O Tocantins participa ativamente desse processo. Representado pelo produtor cultural Erval Benmuyal, da Casa do Artesão Ponto de Cultura, o estado articula o movimento local para garantir escutas territoriais e o respeito às especificidades regionais.
Para os coletivos culturais, o reconhecimento do hip-hop como instrumento educacional representa um avanço histórico: a cultura da periferia deixa de ser marginalizada e passa a ser compreendida como conhecimento, identidade e transformação social.
Por Núbia Dourado | Cultura e Sociedade

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