Ações formativas integram o projeto do longa-metragem Luziléia – O Sertão em Meus Olhos e promovem formação e mapeamento de novos talentos para o audiovisual tocantinense
Começam nesta sexta-feira, 14 de agosto, as Oficinas Petrobras de Audiovisual, circuito de formação que levará aos municípios e comunidades tradicionais do Tocantins oficinas de Introdução ao Audiovisual, Interpretação para Cinema e Narrativas de Cura.
Com patrocínio da Petrobras, por meio da Lei do Audiovisual/Ancine e Ministério da Cultura, as ações formativas integram o projeto do filme Luziléia – O Sertão em Meus Olhos, segundo longa-metragem de ficção da cineasta tocantinense Eva Pereira, atualmente em etapa de preparação. A produção do filme conta também com recursos do Edital da Lei Paulo Gustavo do Tocantins, realizado pela Secretaria da Cultura do Estado do Tocantins.
Mais do que oferecer formação, o circuito busca democratizar o acesso ao conhecimento e às diferentes áreas do fazer audiovisual, especialmente em territórios onde esse tipo de capacitação e o acesso aos bens culturais ainda são mais restritos. As oficinas também terão um papel estratégico na preparação do longa: promover o mapeamento e a revelação de novos talentos artísticos e técnicos, criando possibilidades para que participantes das próprias comunidades sejam posteriormente incorporados à produção do filme.
As atividades serão ministradas pela cineasta Eva Pereira, pela atriz Giselle Itié e pelo ator Gabriel Muglia, reunindo experiências de diferentes áreas da criação audiovisual e da interpretação para cinema.
A primeira ação acontece hoje, 14 de agosto, das 9h às 17h, no CEMIX – Centro de Ensino Médio Xerente, no município de Tocantínia (TO). A atividade será direcionada a jovens indígenas Akwẽ-Xerente e marca o início de um circuito que, durante os meses de agosto e setembro, percorrerá diferentes regiões do estado.
Em agosto, a programação segue por Monte Santo do Tocantins, no dia 25; São Miguel do Tocantins, nos dias 27 e 28; e Tocantinópolis, nos dias 29 e 30, além de atividades previstas em Taquaruçu, Buritirana e Miracema.
Em setembro, o circuito avança para a região do Jalapão e chega a comunidades quilombolas e tradicionais situadas em territórios onde o acesso continuado a ações de formação e a bens culturais é mais difícil. A programação contempla o Povoado do Prata, a Comunidade Quilombola Mumbuca e a Comunidade Boa Esperança, além dos municípios de São Félix do Tocantins e Mateiros. A presença nesses territórios reforça um dos principais compromissos do projeto: fazer com que a formação audiovisual possa chegar também a populações que, pela distância dos grandes centros e pelas condições de acesso, historicamente têm menos oportunidades de contato com ações culturais e de capacitação profissional.
Produzidas pela Cunhã Porã Filmes, as oficinas partem do princípio de que a formação audiovisual pode ir além da transmissão de conhecimentos técnicos: pode ser também um espaço de expressão, pertencimento, descoberta e criação de novas perspectivas profissionais.
Para a cineasta e produtora Eva Pereira, descentralizar o acesso à formação é também uma forma de ampliar quem pode contar as nossas histórias e quem pode ocupar os diferentes espaços de uma produção cinematográfica.
“Queremos que o filme deixe um legado que vá além da própria obra. Levar formação para os municípios e comunidades é possibilitar que novos talentos descubram o audiovisual e, principalmente, que possam encontrar nele um lugar de expressão e também uma possibilidade profissional. Queremos formar, mapear e trazer essas pessoas para perto da produção, para que o cinema realizado no Tocantins seja feito, cada vez mais, por profissionais do próprio Tocantins”, afirma Eva Pereira.
A relação da cineasta com essa proposta também atravessa sua própria história. Eva Pereira nasceu e viveu na zona rural até os nove anos de idade, período em que seu contato com a arte aconteceu principalmente através das novelas de rádio. Foi ouvindo aquelas histórias, ainda criança, que nasceu a decisão de que, quando crescesse, também seria uma contadora de histórias.
“A arte me encontrou através do rádio, quando eu ainda era uma menina vivendo na zona rural. As novelas que eu ouvia foram fundamentais para que eu decidisse, ainda criança, que queria contar histórias quando crescesse. Por isso, poder hoje proporcionar esse encontro com a arte a jovens e moradores de comunidades que têm mais dificuldade de acesso aos bens culturais é uma alegria muito grande. A gente nunca sabe onde esse encontro pode chegar ou o que ele pode despertar na vida de alguém.”
Uma trajetória que leva o Tocantins às telas
Luziléia – O Sertão em Meus Olhos será o segundo longa-metragem de ficção de Eva Pereira. Seu primeiro longa, O Barulho da Noite, abriu um importante caminho para o cinema produzido no Tocantins, inserindo o estado, na categoria de longas-metragens, em alguns dos mais importantes festivais de cinema do país, entre eles o Festival de Cinema de Gramado e a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
No circuito internacional, o filme alcançou expressiva trajetória, acumulando 22 prêmios em festivais e seguindo em circulação fora do Brasil. Em outubro, O Barulho da Noite participa do BFFT, em Toronto, no Canadá, e, em novembro, chega às salas de cinema brasileiras, dando continuidade à trajetória da obra junto ao público.
Sobre Luziléia – O Sertão em Meus Olhos
Luziléia – O Sertão em Meus Olhos é o segundo longa-metragem de ficção da cineasta tocantinense Eva Pereira. Atualmente em fase de preparação, o projeto terá parte de sua equipe e de seu elenco formada a partir do trabalho de pesquisa, formação e mapeamento realizado nos municípios e comunidades por onde passarão as oficinas.
A proposta é fazer com que a realização do filme também contribua para a formação de novos profissionais, descoberta de talentos e fortalecimento da cadeia produtiva do audiovisual no Tocantins, deixando como legado não apenas uma obra cinematográfica, mas conhecimento, experiência e novas possibilidades de atuação para quem vive nos territórios onde o projeto acontece.
Social
Todos os trabalhos da Cunha Filmes incluem um foco social, com mapeamento e lançamento de talentos durante as ações formativas e programas sociais, principalmente em territórios rurais, quilombolas e outros. “Isso faz parte da nossa política de trabalho. Foi assim com o Aroma da Pitanga, que produziu um catálogo de talentos após uma série de testes; também com o Barulho da Noite, que selecionamos uma atriz que é uma criança encontrada no Jalapão e venceu a premiação de Melhor Atriz Coadjuvante em Miami, e muitos outros trabalhos”, afirma a diretora Eva Pereira.
Serviço
Oficinas Petrobras de Audiovisual
Ministrantes: Eva Pereira – cineasta | Giselle Itié – atriz | Gabriel Muglia – ator
Atividades: Introdução ao Audiovisual | Interpretação para Cinema | Narrativas de Cura
Período: agosto e setembro de 2026
Locais: Tocantínia, Monte Santo do Tocantins, São Miguel do Tocantins, Tocantinópolis, Taquaruçu, Buritirana, Miracema, Povoado do Prata, Comunidade Quilombola Mumbuca, Comunidade Boa Esperança, São Félix do Tocantins e Mateiros
Produção: Cunhã Porã Filmes
Projeto: Luziléia – O Sertão em Meus Olhos
Patrocínio: Petrobras
Por meio da Lei do Audiovisual/Ancine – Ministério da Cultura
Recursos: Petrobrás e Edital da Lei Paulo Gustavo do Tocantins – Secretaria da Cultura do Estado do Tocantins
Fonte: Cinthia Abreu

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