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    Cultura

    Projeto Águas de Iemanjá combate intolerância religiosa e promove cultura

    RedaçãoPor Redação22 de janeiro de 20265 minutos de leitura

    O Tocantins vive, a partir desta semana, um dos mais importantes ciclos de valorização da cultura afro-brasileira, dos povos de terreiro e da liberdade religiosa. Teve início nesta quarta-feira, 21 de janeiro, o projeto “Primeiro Festival Cultural e de Geração de Renda e Festividades do Terceiro Presente de Iemanjá do Estado do Tocantins”, uma realização da Associação A Barraca, em parceria com o Terreiro de Candomblé Ilê Odé Oyá, com apoio do Ministério Público do Trabalho no Tocantins (MPT/TO).

     

    As ações se estendem pelos meses de janeiro e fevereiro, em Palmas, e reúnem atos políticos, formações culturais, oficinas de geração de trabalho e renda, rodas de diálogo inter-religioso e uma grande celebração pública nas águas do Rio Tocantins, reafirmando o direito constitucional à liberdade de crença e o combate à intolerância religiosa.

     

    A programação teve início hoje, 21 de janeiro, data em que o Brasil celebra o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, instituído pela Lei nº 11.635/2007. O Ato Político e Institucional, realizado na Câmara Municipal de Palmas, reuniu lideranças religiosas de matrizes africanas, representantes do poder público, órgãos de justiça, conselhos de direitos e a sociedade civil.

     

    O encontro homenageou a memória da Ialorixá Mãe Gilda de Ogum, símbolo nacional da luta contra a intolerância religiosa, e promoveu um amplo debate sobre liberdade religiosa, igualdade racial, direitos humanos e políticas públicas. Entre as instituições convidadas e articuladas estão a Defensoria Pública do Estado do Tocantins, Ministério Público Estadual, Ministério Público Federal, Ministério Público do Trabalho, OAB, secretarias estaduais e conselhos municipais e estaduais de Cultura, Igualdade Racial e Direitos Humanos.

     

    Para o coordenador geral do projeto e dirigente espiritual do Ilê Odé Oyá, Babalorixá William Vieira de Oliveira, a iniciativa vai além da celebração religiosa. “Esse projeto é um gesto coletivo de resistência, memória e afirmação. Celebrar Iemanjá é também lutar pelo direito de existir, de professar a fé sem medo e de garantir dignidade aos povos de terreiro”, afirma.

     

    Formação, saberes tradicionais e geração de renda

    Dando sequência às atividades, o projeto entra em sua segunda etapa no dia 21 de fevereiro (sábado), das 7h às 17h, no Terreiro de Candomblé Ilê Odé Oyá, com a realização de oficinas de imersão integradas, voltadas à valorização dos saberes ancestrais e à geração de trabalho e renda.

     

    Serão ofertadas oficinas de ritmos, toques, cantigas e danças de terreiro; Gastronomia tradicional afro-brasileira; e costura e confecção de roupas de terreiro. As formações fortalecem a economia da cultura, promovem autonomia financeira e preservam conhecimentos transmitidos oralmente entre gerações, reafirmando o terreiro como espaço de educação, cultura e cidadania

     

    Diálogo entre lideranças religiosas fortalece rede de terreiros

    No domingo, 22 de fevereiro, acontece a Roda de Conversa com Sacerdotes e Sacerdotisas, também no Ilê Odé Oyá. O encontro promove a troca de experiências entre casas de matriz africana, incluindo povos de terreiro do Tocantins, São Paulo e Goiás, e fortalece a rede de terreiros do Tocantins e amplia o debate sobre intolerância religiosa, direitos e políticas públicas, reforçando a união entre diferentes tradições afro-brasileiras

     

    Presente de Iemanjá

    O ponto alto do projeto acontece no sábado, 28 de fevereiro, com a Culminância do Terceiro Presente de Iemanjá, reunindo fé, cultura, música e celebração pública.A programação tem início ainda de madrugada, às 5h, com a Alvorada no Terreiro Ilê Odé Oyá, incluindo café da manhã comunitário, xirê e rituais sagrados, com a presença de casas de Candomblé e Umbanda convidadas. Ao meio-dia, ocorre a saída da procissão em carreata, levando os balaios e presentes até a Praia da Graciosa, às margens do Rio Tocantins.

     

    Durante a tarde, a Praia da Graciosa se transforma em um grande espaço de celebração cultural, com falas de lideranças religiosas, representantes do poder público e da sociedade civil; xirê de praia e grande roda com casas de Candomblé e Umbanda; apresentações de capoeira, tambores tradicionais, atabaques e manifestações afro-brasileiras; e entrega dos presentes de Iemanjá no Rio Tocantins, em um dos momentos mais simbólicos do evento. A programação cultural inclui ainda apresentações culturais ao longo de todo o dia.

     

    Calendário oficial do Estado

    A Festa de Iemanjá passou a integrar oficialmente o Calendário Cultural do Estado do Tocantins, a partir deste ano de 2026, após parecer técnico favorável da Secretaria de Cultura, consolidando o reconhecimento institucional da manifestação como patrimônio vivo da cultura afro-brasileira no estado

     

    Sobre o Terreiro Ilê Odé Oyá

    O Ilê Odé Oyá é um espaço de resistência, preservação da memória afro-brasileira e promoção da cultura de matriz africana em Palmas. Atua no fortalecimento das identidades religiosas, culturais e comunitárias, promovendo ações educativas, formativas e de enfrentamento à intolerância religiosa.

     

    Serviço – Programação Geral

    Projeto: Primeiro Festival Cultural e de Geração de Renda e Festividades do

    Terceiro Presente de Iemanjá do Estado do Tocantins

    Período: Janeiro e fevereiro de 2026

    Locais: Câmara Municipal de Palmas, Terreiro Ilê Odé Oyá e Praia da Graciosa (Rio Tocantins)

    Realização: Associação A Barraca e Terreiro de Candomblé Ilê Odé Oyá

    Apoio: Ministério Público do Trabalho no Tocantins

    Fonte: Cinthia Abreu

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    Águas de Iemanjá memória da Ialorixá Mãe Gilda de Ogum Projeto
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