Recursos são vistos como essenciais para manter espaços culturais, projetos comunitários e o trabalho de artistas em todo o Estado
Por Núbia Dourado – Cultura e Sociedade
A cultura tocantinense segue pulsando. Entre ensaios, oficinas, feiras, apresentações e ações comunitárias, artistas, produtores e coletivos mantêm viva a produção cultural em todas as regiões do Estado. Mas, por trás da criatividade e da resistência, há também expectativa.
O setor aguarda a publicação dos editais do 2º ciclo da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), considerada hoje a principal política pública de financiamento cultural do país. Para muitos trabalhadores da arte, esses recursos não significam expansão de projetos, mas a garantia de continuidade.
Diferente de outras áreas da economia, a renda de quem vive da cultura é instável e sazonal — por isso, os editais se tornam essenciais para garantir continuidade, trabalho e sustentabilidade ao setor. Sem prazos definidos, o planejamento fica comprometido e o segmento entra em compasso de espera. Festivais são adiados, equipes deixam de ser contratadas e oficinas são interrompidas.
A produtora cultural Irmã Galhardo resume o sentimento de quem vive essa realidade no Estado.
“Estamos ansiosos pela definição do secretário titular da Cultura, pois os editais da PNAB ciclo 2 já foram lançados em muitos outros estados. Precisamos resolver logo essa situação e avançar. Afinal, tem toda uma classe artística que depende da continuidade desses editais para sobreviver”, afirma.
Atualmente, a pasta é comandada interinamente pela secretária da Cultura, Valéria Kurovski, responsável pela condução das ações do setor até a nomeação de um titular definitivo.
Previsão oficial
Procurada pelo blog Cultura e Sociedade, a Secretaria de Estado da Cultura (Secult) informou que os editais do 2º ciclo da PNAB estão previstos para lançamento no primeiro semestre de 2026.
O Tocantins contará com R$ 13.821.961,52 para execução do ciclo, conforme o Plano de Aplicação de Recursos (PAAR) já encaminhado ao Ministério da Cultura. Segundo a pasta, o documento foi construído com participação da sociedade civil, por meio de consultas on-line e escutas setoriais presenciais e híbridas.
Os recursos devem contemplar iniciativas de Cultura Quilombola, Povos Indígenas, Cultura Tradicional, Cultura Popular, Cultura Urbana e diversas linguagens artísticas, além de apoiar coletivos independentes, eventos continuados e investimentos em espaços culturais públicos e privados.
Mais do que números, a PNAB representa trabalho, renda e reconhecimento para quem sustenta a produção cultural no Estado. Cada edital mantém sonhos e projetos vivos. A espera prolongada pesa sobre quem faz cultura todos os dias.
Enquanto o calendário oficial não é divulgado, artistas e produtores seguem fazendo o que sempre fizeram: criando, resistindo e mantendo viva a cultura do Tocantins.

DEIXE O SEU COMENTÁRIO