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Campanha promove olhar atento ao papel da floresta na produção de alimentos

Campanha promove olhar atento ao papel da floresta na produção de alimentos

 

 

Coloque na panela um punhado de terra, bastante água, troncos, folhas e sementes, e os insetos certos; misture bem e deixe apurar: essa é a origem de todos os pratos. A campanha “Tem Floresta na Mesa”, lançada hoje (1º/3) pelo OCF (Observatório do Código Florestal) e pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), chama a atenção dos consumidores para a importância da floresta na produção de alimentos no Brasil.

Estrelada pelo paraense Thiago Castanho, um dos chefs mais inovadores do mundo segundo o jornal americano The New York Times, a iniciativa chama a atenção do consumidor brasileiro para o papel das florestadas e dos serviços ecossistêmicos que elas fornecem – como chuva, clima estável, proteção e saúde dos solos e lar para polinizadores.

No site da campanha (www.temflorestanamesa.org.br), é possível encontrar sugestões que auxiliam a fazer escolhas mais responsáveis como: buscar por produtos de empresas que respeitem o meio ambiente, cobrá-las para que cumpram a legislação e compartilhar conteúdos relevantes e confiáveis.

Além das principais informações sobre a iniciativa, o espaço também reúne os vídeos das receitas, cards e banners para compartilhamento, produzidos pela agência Fixe.

Do mercado à panela

Em duas receitas gravadas para a campanha, Castanho, um entusiasta da cozinha de origem, ensina especialidades de sua cozinha – mas com ingredientes inesperados.

“Quanto mais soubermos da origem do que colocamos na mesa, mais podemos ajudar a manter a floresta, quem vive ao redor dela e as tradições culturais em pé. Quando fui chamado para participar dessa ação com IPAM, topei na hora, pois está completamente alinhado com meu propósito de trabalho aqui na região amazônica”, diz Castanho.

Todas as peças desenvolvidas para a iniciativa acompanham a presença da floresta desde a entrada do supermercado, passando pela escolha do que vai para o carrinho, até a execução da comida dentro de casa. É um convite ao público a desenvolver um olhar mais atento à origem do alimento.

“Quando vamos ao supermercado, à feira ou a um restaurante, a última coisa que passa pela cabeça é a natureza. Essa iniciativa vem justamente mostrar que, sem uma floresta saudável, não existiriam condições ideais para o brasileiro ter tanta diversidade e abundância na mesa”, explica o diretor de Políticas Públicas e Desenvolvimento Territorial do IPAM, Eugênio Pantoja. “Esse ingrediente que ninguém lembra, a floresta, é um dos recursos naturais fundamentais para a geração de alimentos e precisa ser melhor valorizado por toda a cadeia, do produtor no campo até o consumidor”, complementa.

Floresta em pé, comida na mesa

Um estudo realizado em Mato Grosso por cientistas do IPAM, e publicado em revista científica em 2015, mostrou que áreas de produção agropecuária têm a temperatura da superfície de 4oC a 6oC, em média, mais alta em comparação a uma região florestada – no caso, o Parque Indígena do Xingu, uma “ilha” verde quase totalmente cercada por pastagens e plantações. Além disso, a floresta ali fornece água para a produção ao redor, na forma de chuva.

Em 2018, um editorial escrito pelos cientistas Carlos Nobre e Thomas Lovejoy para a revista Science destacou a importância da Amazônia na circulação de umidade na América do Sul, e reforça que, com o avanço do desmatamento no bioma, a floresta pode perder a função de “regador” da região.

Ambos os trabalhos, assim como outros na literatura científica, comprovam a importância de manter a vegetação em pé. Por isso, “Tem Floresta na Mesa” também promove o consumo responsável, com o estímulo ao cumprimento do Código Florestal por produtores rurais e o compliance por parte da indústria alimentícia.

“As florestas nunca foram uma barreira ao desenvolvimento econômico. A proteção florestal pode perfeitamente se conciliar com a expansão da produção agrícola. É fundamental saber de onde vem o que consumimos: o que consumimos conserva ou desmata florestas”, afirma a secretária-executiva do OCF, Roberta Del Giudice. “A implantação do Código Florestal é o primeiro passo para que todos tenham essa informação.”

Fonte: Ipam Amazônia

COP26 lança iniciativa internacional para a proteção de florestas

COP26 lança iniciativa internacional para a proteção de florestas

● Ministros de mais de 18 países se reúnem para desenvolver roteiro de comércio internacional que promova cadeias de abastecimento alimentar sustentáveis e proteja as florestas
● Mais de 10 milhões de hectares de floresta, associados à produção global de commodities, são destruídos a cada ano

Uma nova iniciativa para proteger as florestas tropicais do desmatamento, garantindo que o desenvolvimento e o comércio sejam sustentáveis, foi lançada ontem pelo Reino Unido, anfitrião da COP26, conferência de cúpula do clima que acontece em novembro. Trata-se do Diálogo sobre Florestas, Agricultura e Comércio de Commodities(FACT, na sigla em inglês para Forest, Agriculture and Commodity Trade), que reunirá os principais países exportadores e consumidores de produtos agrícolas na busca de soluções que tornem este processo mais verde e sustentável.

O anúncio foi realizado ontem, dia 02/02, por Alok Sharma, presidente da COP26, e mais 18 ministros de diferentes países.

O comércio internacional de commodities como óleo de palma, soja e carne bovina movimenta mais de US$ 80 bilhões por ano em receitas de exportação para os países produtores e contribui para a segurança alimentar e o crescimento econômico nos países consumidores. O setor provê trabalho e subsistência para cerca de 1,5 bilhão de pessoas, a maioria delas em países em desenvolvimento. No entanto, ao mesmo tempo, as florestas continuam desaparecendo em um ritmo alarmante e em alguns casos, o desmatamento está aumentando.

A iniciativa FACT visa acordar princípios para a ação colaborativa em um roteiro compartilhado para a transição em direção a cadeias de abastecimento e a um comércio internacional sustentáveis, tomando medidas agora para proteger as florestas enquanto promove o desenvolvimento e o comércio.

“Tenho orgulho em reunir os países que podem tornar o comércio global mais sustentável para todos”, destacou Alok Sharma, presidente da COP26. “Trata-se de trabalhar em conjunto para proteger nossas preciosas florestas, melhorando a subsistência e apoiando o desenvolvimento econômico e a segurança alimentar, que é uma de nossas principais prioridades para a COP26”.

Também no evento de ontem, a TFA (Tropical Forest Alliance), parceira da iniciativa FACT, anunciou a criação de uma Força-Tarefa Multilateral Global voltada para o comércio de commodities. O grupo de trabalho reunirá mais de 25 personalidades que trabalham com sustentabilidade, que irão canalizar sua expertise e assessorar os diálogos governamentais ao longo do ano.

“Esta ousada iniciativa é uma certeza de que todas as vozes relevantes serão ouvidas, conforme os países se unem para garantir um uso mais sustentável da terra”, comentou Justin Adams, diretor executivo da TFA. “A ação para proteger a diversidade do planeta e estabelecer um futuro sustentável exigirá a colaboração global de toda a sociedade, desde os legisladores e produtores até os consumidores individuais. Esta parceria com a COP26 para a viabilização do FACT é motivo de grande orgulho para nós”.

A 26ª Conferência sobre Mudança Climática da ONU (COP26) acontecerá em Glasgow, de 1º a 12 de novembro de 2021. Sua principal meta é acelerar a ação em direção aos objetivos do Acordo de Paris e da Agenda da ONUA relativa às Mudanças Climáticas.

O evento pode ser assistido no endereço https://bit.ly/FACTDialogueLive

Sobre a TFA

A Tropical Forest Alliance (TFA), ou Aliança para as Florestas Tropicais, é uma rede que reúne múltiplos parceiros em torno do objetivo comum da busca e da implementação de soluções para o combate ao desmatamento resultante de atividades comerciais em áreas de florestas tropicais. Iniciativa do World Economic Forum, a TFA trabalha com representantes governamentais, do setor privado e da sociedade civil, como povos indígenas e organizações internacionais, na consolidação de parcerias de alto impacto para reduzir o desmatamento e construir um futuro positivo para as florestas. A rede TFA, por meio de seus parceiros, identifica desafios e elabora soluções, reunindo especialistas de todo o mundo para transformar ideias em ações efetivas na América Latina, na África, na China e no Sudoeste Asiático.

Fonte: R&F Comunicação Corporativa

 

Foto: Carl de Souza/AFP

Ideiaz Powered by InovAtiva apoiará gratuitamente mil projetos inovadores em estágio de ideação

Ideiaz Powered by InovAtiva apoiará gratuitamente mil projetos inovadores em estágio de ideação

 

Da Redação e Ascom Sebrae 

 

Primeira chamada do programa selecionará 150 projetos inovadores e de impacto socioambiental; no segundo semestre outros 850 empreendimentos serão apoiados pelo Ideiaz

 

 

O Ideiaz Powered By InovAtiva abriu, na última segunda-feira (22/02), inscrições para selecionar 150 projetos inovadores e de impacto socioambiental em estágio de ideação de todo País que receberão apoio gratuito de incubadoras e aceleradoras credenciadas no programa.

 

Os projetos terão suporte para desenhar e validar seu modelo de negócios, desenvolver protótipo de produto ou serviço e elaborar seu pitch – como é chamada a apresentação de negócios de startups.

 

Realizado pela Anprotec, o Sebrae e a Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competividade (SEPEC) do Ministério da Economia, o Ideiaz oferecerá atividades de mentoria, consultoria organizacional, suporte tecnológico, suporte para formalização do negócio e qualificação empreendedora.

 

A meta é apoiar, ainda neste ano, mil projetos de pequenos negócios inovadores de todos os estados do País a partir da capacitação gratuita realizada por incubadoras e aceleradoras, fomentando ecossistemas locais de inovação.

 

Cada projeto selecionado pelo Ideiaz receberá atendimento durante 10 semanas em uma das incubadoras ou aceleradoras credenciadas, conforme estipulado no regulamento.

 

Além das atividades coletivas, os empreendedores receberão atendimento individual para estruturar o modelo de negócios, amadurecer e validar com clientes os protótipos de produtos ou serviços desenvolvidos e montar o pitch e a defesa do negócio pronto.

 

Ideiaz Powered by InovAtiva

 

O Ideiaz Powered By InovAtiva é o primeiro projeto a receber apoio metodológico do hub de inovação InovAtiva. Como explica o Secretário Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia, Carlos Da Costa, o programa faz parte da estratégia do InovAtiva para levar suas ferramentas e serviços para 15 mil startups brasileiras nos próximos anos.

 

“O ‘Powered By InovAtiva’ funcionará como uma franquia, proporcionando guias metodológicos, conceitos e marcas para que instituições de atuação regionalizada possam desenvolver programas de apoio à inovação e ao empreendedorismo inovador. O Ideiaz Powered by InovAtiva é o primeiro de muitos projetos que lançaremos pelo InovAtiva nos próximos meses”, destaca Carlos Da Costa.

 

Um dos objetivos do Ideiaz é, segundo o presidente do Sebrae, Carlos Melles, contribuir para o desenvolvimento de ecossistemas inovadores em todo o País. "Por meio da operacionalização deste programa, seremos capazes de levar inovação e capacitação a diferentes regiões do país. Um trabalho que será possível por meio da ativação de uma rede de parceiros locais, com o fomento da geração de empresas inovadoras, de empregos e de conhecimento”, afirma Melles.

 

"O programa Ideiaz se faz valer da infraestrutura, do conhecimento e da experiência das incubadoras e aceleradoras do Brasil para apoiar o desenvolvimento e a consolidação de centenas de negócios inovadores em seu estágio inicial. É um programa nacional de grande escala que vai atender a todas as regiões do país”, completa o presidente da Anprotec, Francisco Saboya.

 

 

Ideiaz Powered By InovAtiva

 

Período de inscrição de projetos inovadores: 22/02 a 14/03

 

Divulgação dos resultados: 31/03

 

Atendimento aos projetos selecionados: 05/04 a 11/06

 

As dúvidas devem ser encaminhadas por e-mail para o endereço: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Meio Ambiente e Instituto Espinhaço se reúnem para alinhar Termo de Cooperação Técnica com Governo do Tocantins

 

Da Redação e Ascom Semarh

 

 Durante o encontro a secretária Miyuki Hyashida teve a oportunidade de conhecer um pouco mais da história do Instituto e abriu discussões para reiniciar os alinhamentos para 2021.

Nesta quinta-feira, 28, foi apresentado para a titular da Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), Miyuki Hyashida, o Termo de Cooperação Técnica celebrado ainda no passado entre o Governo do Estado e o Instituto Espinhaço – biodiversidade, cultura, desenvolvimento socioambiental.

Durante o encontro, a secretária teve a oportunidade de conhecer um pouco mais da história do Instituto e abriu discussões para reiniciar os alinhamentos para 2021. “A reunião foi bastante produtiva, principalmente no sentido de manter o acordo firmado anteriormente, e a partir de agora vamos dar prosseguimento aos trabalhos com o objetivo de revitalizar de forma sustentável a Bacia do rio Javaés e Formoso”, destacou Miyuki Hyashida.

A revitalização das bacias se apoia em quatro grandes eixos, sendo eles: a recomposição da vegetação nativa, através de recuperação de nascentes, Áreas de Proteção Ambiental (APA) e matas ciliares. Outro eixo é o projeto de conservação de águas no solo, que envolve as Barraginhas, e tem a finalidade de diminuir o assoreamento da bacia do rio Javaés e Formoso. O terceiro eixo consiste no monitoramento para gerar dados como indicadores para melhoria dos trabalhos, possibilitando o fornecimento da água em quantidade e qualidade para os usuários e seus usos múltiplos.

O diretor de Planejamento e Gestão dos Recursos Hídricos da Semarh, Aldo Azevedo, ressaltou que “o quarto eixo se baseia no envolvimento da comunidade nas ações de conservação das nascentes, por meio das mobilizações sociais, fomentando a educação ambiental entre os envolvidos no projeto, a fim de desenvolver um trabalho contínuo de preservação nas áreas que serão revitalizadas”.

O projeto de Revitalização da bacia do Rio Javaés e Formoso é prioridade na Gestão do Governo do Estado do Tocantins, porque vai de encontro com as políticas públicas federais da área ambiental, a exemplo do lançamento recente de Edital pelo Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) para selecionar projetos de Revitalização de bacias hidrográficas entre elas, a bacia do Tocantins - Araguaia.

O Instituto

O Instituto Espinhaço é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, que tem como objetivo contribuir com ações que promovam e valorizem a afirmação territorial, o fortalecimento dos serviços ecossistêmicos, o apoio à educação ambiental e ao fortalecimento de capacidades e a promoção de novas práticas para o desenvolvimento sustentável no meio rural e nas cidades, com foco em resultados objetivos, práticos e palpáveis para a sociedade.

O Instituto está presente em 13 países e oito estados brasileiros. Trabalha com propostas, projetos e ações integradas com inovação, voltadas para o desenvolvimento humano, econômico e socioambiental, em sintonia com a recuperação dos serviços ecossistêmicos, a valorização da cultura brasileira e o desenvolvimento de alternativas inteligentes para as pessoas e os territórios, visando uma cultura de paz e equidade social.

 

Fotos – Marcel de Paula/Governo do Tocantins

Estudante da rede estadual é homenageado no quadro Inspiração do programa Caldeirão do Huck

Estudante da rede estadual é homenageado no quadro Inspiração do programa Caldeirão do Huck

 

Da Redação e Ascom Seduc


Rhenan Cauê acredita que a Educação é o caminho para as ações de transformação ambiental e social




Você conhece o jovem Rhenan Cauê Barbosa Batista? Filho da professora de Ciências, Ana Cláudia da Silva, ele mora em Araguatins, estuda no Colégio Estadual Osvaldo Franco e ganhou destaque e reconhecimento nacional e internacional ao mobilizar ações de preservação ambiental. O estudante participará do quadro especial ‘Inspiração’, do Caldeirão do Huck, neste sábado, 13. O quadro traz o elenco da TV Globo para aplaudir brasileiros que têm trabalhos relevantes de transformação social.
 
Em 2013, quando tinha apenas 7 anos de idade, o jovem Rhenan viu a fazenda onde morava pegar fogo, após um curto circuito em decorrência da batida do trator no poste de luz, o que provocou o incêndio que destruiu quase que completamente a fazenda.

Após este episódio, Rhenan estudou arduamente sobre o meio ambiente e as formas de preservá-lo. Sua disposição motivou, anos depois, a criação de um projeto para revitalizar o córrego Brejinho, um afluente do rio Araguaia que corta sua cidade.

A iniciativa mobilizou cerca de 500 moradores de Araguatins e ganhou projeção internacional. O garoto esteve na Armênia, onde apresentou o projeto de revitalização do Brejinho na conferência da "Teach For All", rede internacional que integra 53 organizações de diversos países, cujo objetivo é fortalecer e impulsionar iniciativas de educação.

Com a visibilidade do projeto, Rhenan se tornou um dos nove escolhidos entre 60 candidatos do Brasil todo para participar do Programa Jovens Transformadores da Ashoka, uma das cinco ONGs internacionais mais importantes e de maior impacto social. A organização promove a conexão entre agentes de transformação dos 92 países em que atua e realiza atividades para incrementar o trabalho deles.

O Estudante, que já foi tema de diversas matérias em inúmeros veículos de comunicação, recebeu Moção de Reconhecimento pelo projeto de revitalização do córrego Brejinho no Tribunal de Contas do Estado do Tocantins e justa homenagem do 18º Fórum de Governadores.  

O jovem , hoje com 14 anos, acredita que a Educação é o caminho para as ações de transformação ambiental e social. “Estou muito feliz por mostrar que a escola pública tem uma educação de qualidade e sem os professores e a comunidade escolar, nada disso seria possível. A escola é fundamental para dar oportunidades e voz aos jovens para conseguirem realizar projetos e ações inspiradoras”.

A mãe, e também professora, Ana Cláudia da Silva, falou do quanto se sente orgulhosa ao ver as iniciativas inspiradoras do filho. “Estamos felizes em saber que esse reconhecimento em rede nacional vai inspirar e mobilizar crianças e jovens por todo o Brasil. As crianças terão voz e vez para buscarem mudar a sua realidade”, destacou.
 
.Piracema: operação retira mais de 2,5 mil metros de redes do rio Araguaia

.Piracema: operação retira mais de 2,5 mil metros de redes do rio Araguaia

 

Da Redação e Ascom Naturatins

 

Equipe de fiscalização da Agência Regional do Naturatins em Araguaína percorreu rios dos municípios de Couto de Magalhães, Juarina, Bernardo Sayão, Arapoema e Pau D'arco, em ação especial que teve como objetivo coibir a pesca durante o período de reprodução dos peixes, que vai até 28 de fevereiro

Em cumprimento ao cronograma de ações previstas durante o período de piracema, o Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), por meio da Agência Regional de Araguaína, realizou uma operação de fiscalização no último final de semana, nos municípios de Couto de Magalhães, Juarina, Bernardo Sayão, Arapoema e Pau D'arco.

A operação teve como objetivo coibir a pesca durante o período da piracema, que teve início no dia 1º de novembro de 2020 e vai até o próximo dia 28 de fevereiro, quando estão proibidas todas as modalidade de pesca em todo o território tocantinense.

De acordo com a diretora da Agência Regional do Naturatins em Araguaína, Lorena Alves, durante a operação a equipe abordou embarcações avistadas durante os percursos e aproveitou para orientar sobre o período de defeso e da necessidade de que os peixes tenham sua reprodução respeitada, como forma de garantir a manutenção dos cardumes nos rios do Tocantins.

Também foi realizado recolhimento de material usado em pesca predatória, ilegal não apenas durante a piracema, mas em qualquer época do ano, como redes de malha fina, que acabam pegando peixes pequenos, que ainda não alcançaram a idade reprodutiva. Ao todo, mais de 2,5 mil metros de redes foram retirados do rio Araguaia, com vários peixes presos na malha.

Os peixes que ainda estavam vivos foram devolvidos ao rio e o que estavam mortos, foram doados para comunidade carente de Araguacema. Todo o material foi recolhido para o pátio do Naturatins.  Como os donos das redes não foram identificados, os fiscais não lavraram nenhum auto de infração.

 “Mesmo com todas as orientações que o Naturatins dá ano após ano, as pessoas continuam insistindo em pescar durante piracema, usando inclusive redes com malha fina, que não são permitidas por lei em época nenhuma”, lamentou Lorena.

Os fiscais Joel Ronald Machado Rosa, Raylma Miranda Gomes e Gervázio Pereira Costa percorreram o rio Araguaia, começando no porto de Couto Velho, na cidade de Couto Magalhães, passando por Juarina e Bernardo Sayão. Em seguida, a equipe percorreu o porto do assentamento Mutamba até o porto do Jacu, localizados em Arapoema. No último dia da operação, a equipe se deslocou até o município de Pau D'arco, onde fez também vistoria por terra nos rios Jenipapo e Araguaia, do porto da balsa até a Praia da Cigana, próximo ao povoado Garimpinho.

 

Fotos: Naturatins/Divulgação

Projetos para revitalização de bacias hidrográficas podem ser apresentados até a próxima quinta-feira

Projetos para revitalização de bacias hidrográficas podem ser apresentados até a próxima quinta-feira

 
 Da Redação e Ascom Semarh
 
 

A chamada pública é destinada à iniciativa privada, cabendo à Semarh apenas o caráter divulgativo

 

A Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) divulga edital de chamamento público para seleção de projetos de revitalização de bacias hidrográficas a serem apresentados por pessoas jurídicas de direito privado. A proposta é selecionar projetos que revitalizem as bacias: São Francisco, Parnaíba, Taquari (Mato Grosso do Sul) e Tocantins Araguaia.


Os interessados em participar desta convocação deverão efetivar inscrição, exclusivamente por e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. até às 23 horas e 59 minutos, horário de Brasília, do dia 11 de fevereiro de 2021. 


A revitalização de bacias hidrográficas consiste na recuperação, conservação e preservação ambiental por meio de ações integradas que promovam o uso sustentável dos recursos naturais, a melhoria das condições socioambientais e o aumento da disponibilidade hídrica. 


O edital completo está disponível através do link: https://www.gov.br/mdr/pt-br/acesso-a-informacao/licitacoes-e-contratos/licitacoes-e-contratos

 

Foto: Fernando Alves/Governo do Tocantins
Rio Palma 
Ruraltins e ONG Mãos que Plantam discutem projeto para desenvolver extrativismo da macaúba no Tocantins

Ruraltins e ONG Mãos que Plantam discutem projeto para desenvolver extrativismo da macaúba no Tocantins

Da Redaão e Ascom Ruraltins

 

Projeto visa o plantio e extrativismo da palmeira como alternativa sustentável para a agricultura familiar

 

O presidente do Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins (Ruraltins), Fabiano Miranda, recebeu nessa quarta-feira, 14, em seu gabinete, o consultor da ONG Mãos que Plantam, Peter Oliveira. A visita teve como finalidade buscar apoio institucional para expandir o Projeto Macaúba na área da Amazônia Legal, visando o plantio e extrativismo da palmeira como alternativa sustentável para a agricultura familiar.

Segundo o consultor, esse projeto vai receber mais de R$ 500 milhões em investimento para os próximos dez anos, principalmente pelo Banco Mundial e instituições europeias, e já está despertando o interesse também de grandes organizações interessadas em investir neste projeto. “Essa é uma oportunidade para a agricultura familiar, com foco em fomentar o plantio da macaúba, seja sem sistema agroflorestal ou Silvipastoril, e para isso vamos precisar muito do apoio do Ruraltins”, explicou o consultor.

Nesta parceria com a agricultura familiar, a ONG assumiria os investimentos necessários para o plantio da macaúba, enquanto que o produtor entra com a terra e com a mão de obra para o replantio e os tratos culturais.

Atento à proposta, o gestor, Fabiano Miranda, acompanhando do diretor de Assistência Técnica e Extensão Rural, Marco Aurélio Gonçalves, afirmou que esse projeto é uma oportunidade para expandir o trabalho do órgão, de implantar um sistema agroflorestal ou Silvipastoril, como uma dinâmica entre as atividades agropecuárias.

“É mais uma oportunidade de trabalho e renda para produtor rural, e nós vemos com bons olhos essa proposta de oportunizar essa cultura aqui no Tocantins, visto que ela é uma cultura perene, onde se faz a extração dos frutos e não madeira. Então a gente vê como uma oportunidade de diversificar e minimizar as atividades agropecuárias dentro da propriedade”, disse o diretor Marco Aurélio.

Ao final do encontro, ficou acordado que a ONG vai elaborar uma proposta de parceria, que será apresentada e analisada para que seja definida qual a contrapartida do órgão rural. “Há interesse, porém é necessário levantar, avaliar os recursos a serem empregados na execução desse projeto. Depois de apresentado nós vamos fazer a nossa contraproposta da forma que fique viável a sua execução”, frisou o gestor Fabiano Miranda.

O projeto Macaúba é desenvolvido pela INOCAS – Soluções em Meio Ambiente, startup que produz óleo vegetal sustentável de macaúba, e agora, no Tocantins, vai contar com a parceria da ONG Mãos que Plantam para expandir a área de plantio. A ONG já desenvolve os projetos Reflorestar, Baru Brasil e Pequi do Cerrado.

O projeto piloto da INOCAS está localizado na região do bioma cerrado no Alto Paranaíba, Minas Gerais.

Beija-flor topázio-de-fogo macho, flagrado em Manacapuru, Amazonas (Fotos: Marcos Amend)

Cantos da Amazônia: nova websérie faz um passeio pela natureza da floresta e da cidade sob a ótica da observação de aves

Marcos Amend, fotógrafo de natureza, e Mario Cohn-Haft, ornitólogo, são amigos há muitos anos. E sempre que se encontravam – em geral, em expedições por paraísos espalhados pelo Brasil – declaravam o desejo mútuo de desenvolverem um projeto juntos para incentivar as pessoas, de qualquer lugar do país, a observar e reverenciar a natureza, principalmente por intermédio das aves.

Até que, em 2019, Marcos se casou com a documentarista Carolina Fernandes e mudou de Minas Gerais para a Amazônia, bem pertinho de Mario, em Manaus. Muito auspicioso para começar a construir os alicerces de seu sonho comum!

Então, veio a pandemia do novo coronavírus. E também veio Caetano, o primeiro filho de Marcos e Carolina. E, pra não enlouquecerem dentro de casa, os dois amigos começaram a passarinhar e não perderam mais tempo: decidiram dar vazão à vontade de divulgar a diversidade, o comportamento e a interação das aves com o ambiente amazônico.

Marcos, Carolina, Mario e o pequeno Caetano, que já se encanta com as aves no entorno de casa

Hoje, 3 de fevereiro de 2021, lançam o projeto Cantos da Amazônia, uma websérie de filmes curtos, que serão divulgados a cada quinze dias no You Tube.

A cada episódio, os idealizadores farão um passeio pela natureza da floresta conduzido pela prática da observação de aves – birdwatching -, apresentando a infinidade de espécies que vivem tanto no recôndito mais remoto da floresta, quanto nos ambientes urbanos.

Natureza acessível

Araçari-negro flagrado por Marcos Amend em Manaus, em janeiro de 2020

“As aves estão por toda parte, basta ter um pouquinho de disposição para notá-las. E elas formam um universo fascinante”, declara Mario, que é pesquisador do INPA – Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e o apresentador da nova série.

“Cada espécie tem inúmeras histórias e características únicas, curiosidades e detalhes de seu relacionamento com a natureza e com os ambientes modificados pela humanidade, como as cidades. É isso que queremos mostrar”.

Marcos Amend fotografou esta Rendeira macho em Manaus, em julho de 2020

Para Marcos, documentários são uma ótima forma de atrair adeptos, não só para a observação de aves, mas também para a conservação:

“Meu ideal com a fotografia sempre foi mostrar que há natureza acessível a todos. Quero que as pessoas sintam vontade de conhecer os lugares por onde a gente passa. Quanto mais a sociedade se perceber integrada às paisagens, plantas e bichos, mais engajamento teremos na proteção das áreas naturais”.

Em 2017, ele contou sobre isso no blog Por Trás das Câmeras (que compartilha com outros cinco fotógrafos, aqui, no Conexão Planeta) e convidou os leitores para registrar a natureza onde ela está.

Fluidez, simplicidade e bom humor

Marcos, durante as filmagens, com a ornitóloga e assistente científica da websérie, Priscila Diniz

E Mario e Marcos estão muito bem acompanhados na nova jornada pela documentarista Carolina Fernandes – que apresentei no início deste post -, também apaixonada pela natureza. Ela conta que o clima descontraído e a linguagem simples tornam os documentários ainda mais complexos.

“Aproveitamos a experiência do Mario e a energia da nossa assistente científica, Priscilla Diniz, para construir roteiros com temas bem definidos e uma riquíssima e rigorosa pesquisa científica por trás, sem perder a fluidez, a simplicidade e o bom humor”.

O Pica-pau-de-banda-branca fêmea cavando ninho em tronco de buriti não escapou das lentes de Marcos Amend em Manaus

Os cinco primeiros episódios da websérie foram produzidos com recursos da Lei Aldir Blanc, por meio de edital da Manauscult e serão divulgados a partir de 17 de fevereiro, quinzenalmente. E sempre faz parte de cada episódio um bate-papo com os integrantes da equipe.

‘Live de lançamento

Hoje, para o lançamento foi produzido um teaser lindo (que você pode assistir no final deste post) e saber tudo sobre o projeto durante a live com Mario, Marcos, Carolina e Priscila, conduzida pela jornalista e apresentadora Aline Midlej.

O encontro será transmitido às 20h pelos canais no YouTube da Avistar e do Cantos da Amazônia e também no Instagram de ambos: Cantos da Amazônia e Avistar.

Savanização ameaça a sobrevivência de mais de 200 espécies de animais das florestas

Savanização ameaça a sobrevivência de mais de 200 espécies de animais das florestas

Macaco-aranha-preto (Ateles paniscus), uma das espécies cuja sobrevivência está ameaçada pela transformação da Floresta Amazônica em savana.
Foto: Zweer de Bruin/CC BY-NC-ND 2.0
  • A transformação das florestas tropicais em ambientes parecidos com savana pode afetar mais do que apenas a vegetação dos biomas — também a fauna pode mudar.
  • Pesquisadores brasileiros avaliaram os impactos das mudanças climáticas e do desmatamento sobre mais de 300 espécies de mamíferos da América do Sul.
  • Animais como primatas, que dependem da copa das árvores para sobreviver, podem perder até 50% de sua área de ocorrência até o fim do século 21.
  • Espécies do Cerrado, por sua vez, como o lobo-guará e o tamanduá-bandeira, podem se espalhar para áreas degradadas da Amazônia, que a cada dia se tornam mais “savanizadas”.

No início da década de 90, ao observar a substituição de árvores de grande porte por uma vegetação parecida com o Cerrado em áreas da Amazônia alteradas pela presença humana, o cientista brasileiro Carlos Nobre revelava ao mundo a preocupante hipótese de que um processo de savanização das florestas tropicais estava em curso no continente.

Trinta anos depois da teoria postulada por Nobre, um estudo desenvolvido pela bióloga Lílian  Sales, do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), revela que o fenômeno da savanização vai muito além da transformação da flora amazônica, podendo modificar radicalmente o mapa de distribuição territorial da fauna e afetar a sobrevivência de várias espécies, principalmente as que dependem de mata fechada para existir.

A pesquisa, feita em parceria com a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade de Miami, foi publicada na revista Global Change Biology e fez uso de modelos computacionais para projetar ao longo do tempo a dispersão de 349 espécies de mamíferos que vivem nas florestas tropicais, atlântica e savanas de toda a América do Sul.

Os resultados mostram um cenário desolador para parte da fauna especialista em florestas, que podem perder até 50% de sua área de ocorrência até o fim do século 21, sobretudo na região conhecida como Arco do Desmatamento, zona de expansão agrícola localizada no sul e sudoeste da Amazônia brasileira, onde a floresta faz divisa com o Cerrado.

O único refúgio para estas espécies seria a área central da Bacia Amazônica, em zonas mais próximas à Cordilheira dos Andes, menos vulneráveis a mudanças climáticas e ao impacto da pressão agropecuária. A expectativa é de que possa haver nestas regiões intocadas um influxo de até 60 espécies que se somariam as já existentes, aumentando a competição por recursos e com consequências ecológicas imprevisíveis.

Por outro lado, alguns animais do Cerrado, que também veem suas terras originais sendo subtraídas, se beneficiariam desta nova conjuntura ambiental, aumentando em até 30% a sua distribuição e se espalhando para áreas degradadas de Floresta Amazônica — e, em menor escala, de Mata Atlântica.

Floresta derrubada no município de Novo Progresso, Pará, em área do chamado Arco do Desmatamento — região nas bordas da Amazônia que vem sofrendo processo acelerado de transformação em savana. Foto: Ibama.

Degradação da floresta permite a entrada de animais do Cerrado

A ideia de desenvolver o trabalho veio de uma curiosidade científica de Lílian, despertada ao acompanhar palestras do professor Carlos Nobre. Especialista em grandes padrões espaciais de distribuição de organismos, a programadora ecológica questionava se este processo de substituição da flora das florestas tropicais pela vegetação de savana não poderia acontecer de forma similar com a fauna destes dois biomas.

“À medida que se modifica a vegetação do ambiente, a gente espera que aconteça a criação de novos habitats”, argumenta a pesquisadora. “Conforme o clima fica mais seco, o desmatamento avança e as queimadas se tornam frequentes, as florestas úmidas e fechadas perdem espaço, convertendo-se em ambientes abertos, semelhantes ao Cerrado na aparência, porém degradado e sem os valores pregressos de conservação e biodiversidade. E isso poderia permitir que alguns animais típicos da savana pudessem entrar nestas matas e tomar o posto dos que lá estavam”.

Macacos de grande porte e lobos-guarás são casos emblemáticos de como o fenômeno da savanização afetará de diferentes formas a dinâmica de ocupação do espaço de determinados animais. Arborícolas, primatas como o macaco-aranha (Ateles spp.) e o macaco-barrigudo (Lagothrix lagotricha), apesar de também explorarem o solo, precisam de um dossel fechado formado pelas copas das árvores para se alimentar, dormir, reproduzir e se deslocar. Com a mata retraída, eles perdem terreno e ficam confinados em fragmentos de floresta, aumentando a competição por alimento e diminuindo a expectativa de sobrevivência.

Já o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), que tolera ambientes mais abertos e secos, poderia se favorecer do crescimento destas áreas abertas e expandir sua população, invadindo trechos de floresta que se transformaram em savana. De fato, um estudo recente registrou 22 ocorrências de lobos-guarás na Amazônia nos últimos 25 anos.

A presença de espécies do Cerrado, como também o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) e o veado-campeiro (Ozotoceros bezoarticus), no lugar de animais da floresta mais sensíveis ao desmatamento — como primatas, preguiças e alguns roedores — é relativizada por Lílian, ao deixar claro que o aparente quadro favorável destes animais pode ser enganoso. “É bom diferenciar as coisas”, diz a pesquisadora. “O lobo-guará está em risco de extinção e a sua casa, principalmente no Centro-Oeste do Brasil, está completamente destruída pela ação da agricultura exploratória e agricultura de baixa tecnologia.”

De acordo com a cientista, o resultado da pesquisa sugere que pode haver uma esperança para algumas destas espécies ameaçadas, desde que elas consigam adentrar nestas regiões deterioradas de mata tropical e atlântica, e de que encontrem nutrientes e locais adequados para a reprodução. “A questão é: se chegarem nestas áreas elas irão ter recursos alimentares? Será que estes ambientes serão suficientes para que estas populações se mantenham estáveis?”, pergunda Lílian. “As projeções revelam que algumas poucas espécies terão êxito em expandir sua distribuição nestas savanas, mas seria uma fauna empobrecida.”

A presença do lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), espécie típica do Cerrado, em trechos anteriormente ocupados pela Floresta Amazônica tem sido vista como indício de um processo de savanização da floresta tropical. Foto: Alberto Rossettini/CC BY-NC 2.0.

Monoculturas são obstáculos à dispersão dos animais

Fragmentação de florestas e monoculturas de soja, cana-de-açúcar e milho, além do crescimento das cidades e da malha rodoviária, são apontados como as grandes barreiras para o deslocamento dos animais que precisam buscar saídas para sobreviver.

De acordo com o biólogo e um dos autores do estudo, Mathias Mistretta Pires, professor e pesquisador do Instituto de Biologia da Unicamp, não adianta ter duas áreas potencialmente habitáveis próximas, seja para animais do Cerrado ou de floresta, se há um obstáculo intransponível entre elas.

“Existe uma série de dificuldades para que estas espécies consigam exercer esse potencial de expansão e cheguem nestas áreas adequadas. Se as populações ficam isoladas e o número de indivíduos é reduzido, elas perdem sua variabilidade genética e consequentemente a capacidade de adaptação às mudanças do ambiente, e as chances de extinção aumentam exponencialmente”, explica o pesquisador.

Para projetar a capacidade de dispersão das 349 espécies de mamíferos que foram avaliadas, a pesquisa determinou em primeiro lugar a especialidade de cada animal, levando em conta a relação deles com seu habitat principal.

Com base neste esquema de classificação, 285 espécies foram consideradas “especialistas florestais”, grupo que inclui várias espécies de primatas — como o macaco-aranha-peruano (Ateles chamek) e o mico-leão-de-cara-dourada (Leontopithecus chrysomelas) —, além de cervos florestais, marsupiais arborícolas e roedores como esquilos, as cutias e a paca (Cuniculus paca).

Doze espécies, por sua vez, foram classificadas como “especialistas em savanas” — entre elas diversos roedores como o Cerradomys scotti, ainda pouco conhecido pela ciência — e outras 52 espécies foram tidas como “ocupantes da savana”, capazes de frequentar outros habitats, entre elas felinos como a onça-parda (Puma concolor) e o gato-mourisco (Herpailurus yagouaroundi), o cateto (Pecari tajacu) e os já citados lobo-guará, tamanduá-bandeira e veado-campeiro.

No cenário de dispersão ilimitada, ou seja, sem barreiras para que os animais se desloquem, apenas 40% dos especialistas florestais seriam capazes de se mover livremente e expandir seus alcances. A proporção aumenta para 75% entre os especialistas da savana e para 69% entre os ocupantes da savana.

Quando o quadro apresenta uma situação de dispersão limitada — por lavouras ou rodovias, por exemplo —, a grande maioria dos especialistas em florestas (219 espécies) veriam sua distribuição potencial reduzida. Alguns especialistas e ocupantes da savana, por sua vez, teriam a sua distribuição aumentada — é o caso do lobo-guará.

Em um cenário de mudança climática extrema, em que os animais não poderiam se dispersar para habitats mais aceitáveis, todas as espécies sofreriam impacto segundo o estudo. Os especialistas florestais, porém, perderiam mais do que 90% de sua distribuição potencial.

O macaco-barrigudo (Lagothrix lagotricha), espécie considerada “especialista da floresta”, tem sua distribuição restrita à porção noroeste da Bacia Amazônica. Como outros primatas que dependem das árvores da Amazônia para sobreviver, um processo de savanização seria fatal para sua sobrevência. Foto: Hans Hillewaert/CC BY-NC-ND 2.0.

Projetos de reflorestamento, corredores ecológicos, vontade política e cumprimento da legislação ambiental são apontados por Lílian como as possíveis ações de mitigação neste processo de redução populacional e extinção causado pela exploração econômica e pelo aquecimento global.

A pesquisadora é particularmente favorável à criação de corredores dinâmicos de vegetação em áreas remanescentes de floresta, como matas ciliares, para conectar o que ela chama de “climas análogos”. “O desafio é criar condições para que a conectividade proporcionada pelos corredores ecológicos seja feita em um cenário amplo”, ressalva. “O novo código florestal, por exemplo, poderia dar insights para uma perspectiva de manejo em escala nacional. Se tivéssemos uma governança que fizesse a lei ser cumprida, já seria um avanço.”

Por: Luís Patriani
Fonte: Mongabay

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