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    Início » Setembro Amarelo e a importância da prevenção do suicídio
    Políticas Públicas

    Setembro Amarelo e a importância da prevenção do suicídio

    Por Núbia Dourado4 de setembro de 20206 minutos de leitura

    O Setembro Amarelo é uma campanha criada com o intuito de informar as pessoas sobre o suicídio, uma prática normalmente motivada pela depressão. Mesmo com tantos casos notórios, crescentes a cada ano, ainda existe uma expressiva barreira para falar sobre o problema.

     

    Segundo dados recolhidos em 2012 pela Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 800 mil pessoas tiram a própria vida todos os anos, sendo 75% destes indivíduos moradores de países de baixa e média renda. Estima-se que no mundo acontece um suicídio a cada 40 segundos.

    Atualmente, o suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens com idades entre 15 e 29 anos. Todos os dias, pelo menos 32 brasileiros tiram suas próprias vidas. Todos esses números poderiam ser evitados ou reduzidos consideravelmente se existissem políticas eficazes de prevenção do suicídio.

    Como o Setembro Amarelo começou?

    A campanha teve início no Brasil, em 2015, pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). As primeiras atividades realizadas pelo Setembro Amarelo aconteceram na capital do país, Brasília. Entretanto, já no ano seguinte várias regiões de todo o país aderiram ao movimento e também participaram.

    A Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio (IASP) estimula a divulgação da causa em todo o mundo no dia 10 de setembro, data na qual é comemorado o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.

    Esta data foi criada em 2003 pela Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio e pela Organização Mundial de Saúde, com o objetivo de prevenir o ato do suicídio, por meio da adoção de estratégias pelos governos dos países. Neste dia, realizam-se cerca de 600 atividades em 70 países do mundo para salvar vidas.

    Objetivos do Setembro Amarelo

    O principal objetivo da campanha Setembro Amarelo é a conscientização sobre a prevenção do suicídio, buscando alertar a população a respeito da realidade da prática no Brasil e no mundo. Para o Setembro Amarelo, a melhor forma de se evitar um suicídio é através de diálogos e discussões que abordem o problema.

    Suicídio é o ato de tirar a própria vida intencionalmente. Também fazem parte deste comportamento os pensamentos suicidas, planos e tentativas de morte, assim como os transtornos relacionados ao problema.

    Durante todo o mês de setembro, ações são realizadas a fim de sensibilizar a população e os profissionais da área para os sintomas desse problema e para a saúde mental.

    Assim, fazendo-os entender que isso também é uma questão de saúde pública. Infelizmente para muitos, o suicídio ainda não é visto como um problema de saúde pública, mas sim uma espécie de fraqueza de conduta ou personalidade.

    Como identificar alguém que precisa de ajuda e corre risco de suicídio?

    Pessoas sob risco de suicídio podem:

    • apresentar comportamento retraído, dificuldades para se relacionar com família e amigos;
    • ter casos de doenças psiquiátricas como: transtornos mentais, transtornos de humor (depressão, bipolaridade), transtornos de comportamento pelo uso de substâncias psicoativas (álcool e drogas), transtornos de personalidade, esquizofrenia e ansiedade generalizada;
    • apresentar irritabilidade, pessimismo ou apatia;
    • sofrer mudanças nos hábitos alimentares ou de sono.
    • odiar-se, apresentar sentimento de culpa, sentir-se sem valor ou com vergonha por algo;
    • ter um desejo súbito de concluir afazeres pessoais, organizar documentos, escrever um testamento;
    • apresentar sentimentos de solidão, impotência e desesperança;
    • escrever cartas de despedida;
    • falar repentinamente sobre morte ou suicídio;
    • apresentar um convívio social conturbado;
    • ter doenças físicas crônicas, limitantes e dolorosas, doenças orgânicas incapacitantes como dores, lesões, epilepsia, câncer ou AIDS;
    • apresentar personalidade impulsiva, agressiva ou humor instável.

    Quais os sintomas de depressão que levam ao suicídio?

    Se você está deprimido ou angustiado, sem vontade de viver, é fundamental buscar ajuda o mais rápido possível. Existem alternativas ao suicídio e buscar o auxílio adequado é o primeiro passo. Os acompanhamentos médicos e psicológicos são as maneiras mais eficazes de tratamento.

    As pessoas que pensam em suicídio normalmente estão tentando fugir de uma situação da vida que lhes parece insuportável, buscando o alívio por:

    • sentirem-se envergonhadas, culpadas ou por se acharem um peso para os demais;
    • sentirem-se vítimas;
    • sentimentos de rejeição, perda ou solidão.

     

    O que leva a comportamentos suicidas?

    Detectar o potencial de comportamentos suicidas é muito importante para a prevenção. Eles são causados por situações que as pessoas encaram como devastadoras. Por exemplo:

    • depressão ou transtorno bipolar;
    • morte de uma pessoa querida;
    • trauma emocional;
    • desemprego ou problemas financeiros;
    • algum membro da família que cometeu suicídio;
    • histórico de negligência ou abuso na infância
    • não aceitação do envelhecimento;
    • término de relacionamentos;
    • não aceitação da orientação sexual ou identidade de gênero;
    • dependência de drogas ou álcool.

    Como ajudar?

    Para ajudar uma pessoa com comportamentos suicidas, algumas ações são fundamentais, como:

    • ouvir, demonstrar empatia e ficar calmo;
    • ser afetuoso e dar o apoio necessário;
    • levar a situação a sério e verificar o grau de risco;
    • perguntar sobre tentativas de suicídio ou pensamentos anteriores;
    • explorar outras saídas para além do suicídio, identificando outras formas de apoio emocional;
    • conversar com a família e amigos imediatamente;
    • remover os meios para o suicídio em casos de grande risco;
    • contar a outras pessoas, conseguir ajuda;
    • permanecer ao lado da pessoa com o transtorno;
    • procurar entender os sentimentos da pessoa sem diminuir a importância deles;
    • aceitar a queixa da pessoa e ter respeito por seu sofrimento;
    • demonstrar preocupação e cuidado constante.

    O que não fazer

    Jamais ignore a situação de uma pessoa com comportamentos e pensamentos suicidas. Não entre em choque, fique envergonhado ou demonstre pânico. Não tente dizer que tudo vai ficar bem, diminuindo a dor da pessoa, sem agir para que isso aconteça.

    A principal medida é não fazer com que o problema pareça uma bobagem ou algo trivial. Não dê falsas garantias nem jure segredo, procure ajuda imediatamente. Principalmente, não deixe a pessoa sozinha em momentos de crise nem a julgue por seus atos.

    Recursos da comunidade e fontes de apoio

    Para pessoas com pensamentos suicidas, os primeiras recursos ou fontes de apoio são:

    • família;
    • amigos e colegas;
    • unidades de saúde: CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), Unidades de Saúde da Família, clínicas, consultórios psicológicos, urgências psiquiátricas.
    • profissionais de saúde: médicos, psicólogos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, auxiliares de enfermagem, agentes de saúde.
    • centros de apoio emocional: CVV (Centro de Valorização da Vida), ligue para o 188.
    • grupos de apoio.

    A grande maioria das mortes por suicídios podem ser evitadas e o diálogo sobre o assunto é o melhor jeito de fazer isso. Se você ou alguém que você conhece possui pensamentos suicidas, peça ajuda.

     

    Fonte: Vittude

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