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    Do quintal ao digital: mulheres quilombolas da Malhadinha iniciam jornada de inclusão tecnológica no Tocantins

    RedaçãoPor Redação2 de março de 20263 minutos de leitura
    Divulgacão

    Aos 90 anos, Dona Antônia tomou uma decisão que simboliza mais do que aprendizado: representa travessia. Sentada no pátio do centro comunitário da Comunidade Quilombola Malhadinha, em Brejinho de Nazaré, ela segurou um tablet pela primeira vez na tarde de sábado (28). Para quem sempre esteve “no meio de tudo”, mas nunca teve oportunidade de estudar, a oficina de comunicação digital foi mais do que um curso — foi abertura de um novo mundo.

    Ela integra o grupo de 20 mulheres que participaram da primeira oficina do projeto Conexão Quilombola: mulheres que conectam saberes, idealizado pela jornalista tocantinense Maju Cotrim. Em um território onde elas lideram associações, produzem polpas de frutas e preservam a memória oral da comunidade, a tecnologia chegou em roda — com risos, curiosidade e afirmação de identidade.

    Orgulho, identidade e território

    Logo no início do encontro, uma declaração arrancou aplausos:

    “Orgulho de ser quilombola, orgulho de todas essas mulheres daqui da comunidade.”

    A frase sintetizou o espírito da tarde: aprender a usar o celular foi importante, mas reafirmar quem são foi essencial.

    Dona Antônia, a mais velha da comunidade, emocionou o grupo ao se apresentar com humor e firmeza. Sua presença simbolizou o elo entre gerações — mostrando que inclusão digital também significa respeitar e valorizar quem construiu o território com as próprias mãos.

    Tecnologia como ferramenta de autonomia

    Na prática, a oficina abordou desde funções básicas do celular até segurança digital e prevenção contra golpes. As participantes gravaram vídeos, aprenderam sobre redes sociais e discutiram como utilizar a internet para fortalecer o empreendedorismo local.

    O projeto propõe transformar o medo de “errar” no aparelho em confiança, mostrando que o celular pode ser extensão do quintal produtivo, da fábrica de polpas e da organização comunitária.

    Para Maju Cotrim, idealizadora da iniciativa, a tecnologia precisa ser ferramenta de liberdade:

    “A ideia é seguir por outros quilombos do Tocantins, levando formação e construindo caminhos para que a tecnologia fortaleça a autonomia das mulheres.”

    Empreendedorismo, estudo e pertencimento

    Entre as participantes está Marlene Araújo Dias, liderança local e empreendedora da produção de polpas de frutas. Ela destaca o orgulho do trabalho coletivo e da identidade quilombola.

    Já Helenir Ribeiro de Souza traz uma trajetória que une academia e raízes. Formada em Química e Pedagogia, ela retornou à comunidade e hoje aplica seu conhecimento técnico na fábrica de polpas, fortalecendo a economia local.

    Essas histórias revelam que a inclusão digital não é apenas acesso à internet — é ampliação de oportunidades, visibilidade e reconhecimento.

    Conexão Quilombola: tecnologia, memória e futuro

    O projeto abrange alfabetização digital, segurança na rede, produção de fotos e vídeos e noções de empreendedorismo online. Estruturadas em módulos práticos, as oficinas estimulam a troca intergeracional, permitindo que a tecnologia preserve a memória do quilombo enquanto amplia o acesso a serviços públicos, como plataformas governamentais digitais.

    A proposta agora é expandir a iniciativa para outras comunidades quilombolas do Tocantins, fortalecendo mulheres como protagonistas no ambiente digital.

    Ao final da tarde, com certificados em mãos e celulares mais “conhecidos”, ficou claro que a oficina marcou o início de um processo maior: transformar telas em janelas de autonomia, renda e defesa de direitos.

    Fonte: Ascom Conexão Quilombola

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