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    Cozinha Experimental Baru une saberes do Cerrado e educação prática em Porto Nacional

    RedaçãoPor Redação20 de julho de 20266 minutos de leitura
    Alunos da EFA durante encerramento do tempo escola, onde há uma avaliação antes de voltarem para suas comunidades no tempo comunidade. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN

    Inaugurado na Escola Família Agrícola de Porto Nacional (TO), o novo espaço foi melhorado para fortalecer atividades práticas, estimular experiências com alimentos e valorizar a sociobiodiversidade

     

    Laboratório de vivências para criar e desenvolver receitas com alimentos nativos do Cerrado. Essa é a proposta da nova Cozinha Experimental Baru, inaugurada em junho na Escola Família Agrícola (EFA) de Porto Nacional, Tocantins. Localizada a cerca de 60 quilômetros de Palmas, a unidade reúne estudantes do Ensino Fundamental e Médio, que conciliam a formação escolar com cursos técnicos voltados para a área rural.

    Na escola, há uma diversidade de origem entre os 264 alunos matriculados, oriundos de mais de 30 municípios do Tocantins e até de fora do estado. Eles são filhos e filhas de agricultores familiares, trabalhadores rurais e pescadores artesanais, ou pertencem a comunidades quilombolas, assentamentos da reforma agrária e até mesmo não possuem relação anterior com o campo.

    Alunos da EFA durante encerramento do tempo escola, onde há uma avaliação antes de voltarem para suas comunidades no tempo comunidade. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN

    De acordo com o coordenador e professor da EFA, Cirineu da Rocha, pensando nas diferentes experiências que os alunos trazem de suas casas estudando no modelo de alternância (tempo escola e tempo comunidade), a ideia da Cozinha Baru é levar para dentro do espaço da escola os produtos da sociobiodiversidade do Cerrado, bioma onde a EFA está inserida, além de utilizar os alimentos produzidos na escola, como o leite e a mandioca. 

    “Esperamos que a Cozinha Experimental Baru seja um espaço indutor de novas experiências. A partir dos conhecimentos que os estudantes trazem de suas comunidades e do trabalho dos educadores, queremos desenvolver receitas, testar possibilidades e valorizar ainda mais os produtos do Cerrado”, comenta o coordenador.

    O coordenador da EFA, Cirineu da Rocha, com a assessora técnica do ISPN, Bruna Braz, durante a prova de receitas elaboradas por alunos em uma aula prática. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN

    O baru foi escolhido por estudantes e famílias para dar nome à cozinha devido à forte relação da região com o fruto. Sua importância também se reflete na alimentação escolar do Tocantins: ao lado do jatobá, ele integra os alimentos adquiridos por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), que determina que, no mínimo, 30% dos recursos destinados à alimentação escolar sejam utilizados na compra de produtos da agricultura familiar.

    Entre os estudantes que vão utilizar o novo espaço está Lívia Carvalho de Jesus, do 1º ano do Ensino Médio, com o curso técnico em Agropecuária. Moradora de uma fazenda em Miranda do Tocantins, onde o pai trabalha, ela destaca que a formação oferecida pela EFA contribui para fortalecer a ligação dos jovens com o campo e gerar conhecimentos que serão aplicados nas comunidades. 

    “A gente sempre leva para casa o que aprende aqui. Eu mesma compartilho com a minha família várias coisas que aprendo na EFA. Até mesmo consigo aplicar na horta do meu pai, que aceita minhas dicas sobre diferentes formas de trabalhar”, conta Lívia.

    A estudante Lívia Carvalho de Jesus durante a inauguração da Cozinha Experimental Baru. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN

    Para a estudante, a cozinha representa mais uma oportunidade de aprendizado prático. Segundo ela, o novo espaço permitirá vivenciar conteúdos trabalhados nas disciplinas, ampliando as experiências com o processamento de alimentos e o aproveitamento dos produtos. 

     

    Nesse modelo de educação, a prática não é apenas uma aula, ela é uma dimensão da formação dos estudantes, baseada na Pedagogia da Alternância, que integra teoria, trabalho, território e comunidade.

     

    Alunos durante as atividades com os pais na cozinha da EFA. Foto: Karla Oliveira/Acervo Agrop

    Agroecologia como base da pedagogia da EFA Porto Nacional 

    Na escola, a agroecologia faz parte da formação dos estudantes e orienta atividades que conectam alimentação, produção rural e sustentabilidade. Os alunos e professores da EFA Porto Nacional desenvolvem um projeto de implementação de mandala agroflorestal e viveiro de mudas de espécies nativas do Cerrado. 

    De acordo com a analista socioambiental do ISPN, Bruna Braz, espaços como a EFA possuem o poder de engajar a juventude. “Os jovens se sensibilizam para a conservação do Cerrado, das águas e da terra. Também são espaços importantes para fortalecer a construção do Bem Viver, aliado com agroecologia e justiça social”, avalia. 

    Para a professora da área das agrárias, Joicileia Juliate Fonseca, que acompanha as atividades, esse processo contribui para que os jovens compreendam a relação entre produção, alimentação e sustentabilidade. Ela destaca que a experiência ajuda a desmistificar a ideia de que apenas os grandes sistemas agrícolas são capazes de gerar resultados, mostrando que pequenas áreas diversificadas também produzem alimentos, conhecimentos e autonomia para as famílias.

    A professora Joicileia Juliate Fonseca destaca para seus alunos durante as atividades práticas no campo a relação entre produção, alimentação e sustentabilidade. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN 

    “A gente quer mostrar aos estudantes que é possível produzir alimentos de forma saudável com os recursos que temos, respeitando o solo, valorizando a diversidade e aproveitando tudo o que o ambiente pode oferecer”, comenta a professora. 

    A Cozinha Experimental Baru foi reformada e equipada com apoio do Fundo Ecos, mecanismo financeiro do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN). O projeto é executado em parceria com a Associação dos Agricultores Familiares e Agroindustriais de Palmas (Agrop) e foi contemplado no 38º edital. Além da cozinha, o Fundo apoia a implementação da mandala agroflorestal e do viveiro de mudas. 

    O edital 38 é voltado para jovens e mulheres, com financiamento do Fundo Socioambiental do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Área de Desenvolvimento Social da Suzano. Ao todo, são cinco escolas do campo contempladas neste edital, beneficiando mais de 300 estudantes. 

    Ao longo dos últimos 30 anos, o apoio às escolas de ensino contextualizado do campo pelo Fundo Ecos reforçou a importância do protagonismo da juventude no enfrentamento da crise climática a partir da agroecologia. Neste sentido, foram publicados nos últimos anos dois editais temáticos, focados nesses jovens de forma inédita. Quer saber mais? Acompanhe o site do Fundo Ecos e fique por dentro dos editais abertos.

    Visita ao viveiro da EFA onde são cultivadas mudas de várias espécies nativas do Cerrado pelos estudantes. Foto: Bruna Braz/Acervo ISPN

     

    Fonte: approach

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    #Porto Nacional Cerrado Cozinha Experimental Baru EFA
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