Encontro com o ceramista e artista visual Wanderley Batista acontece às 17h, no AMA – Orquidário de Palmas, durante a CASACOR Tocantins, e apresenta ao público o processo criativo e as inspirações por trás da exposição “Dança do Pote”
Como o movimento de uma dança pode ganhar forma no barro? E o que aproxima os gestos de quem molda a argila dos passos, giros e ritmos de uma manifestação tradicional? Essas conexões estarão no centro do Talk com o Artista, que acontece nesta terça-feira, 8 de setembro, às 17h, com o ceramista e artista visual Wanderley Batista, criador da exposição “Dança do Pote”.
O encontro será realizado no AMA – Orquidário de Palmas, no ambiente “Caminho dos Quilombos”, dentro da CASACOR Tocantins, onde estão expostas as peças do projeto. A atividade propõe uma aproximação entre artista e público, revelando histórias, referências, técnicas e processos que transformaram a Suça, a cerâmica, a música e a ancestralidade tocantinense em obras de arte.
Realizada pelo Ponto de Cultura Pote de Ouro Arts, “Dança do Pote” tem produção cultural de Daniella Aires e apresenta peças criadas por Wanderley Batista a partir da relação entre os movimentos da dança popular e os gestos do fazer cerâmico. No Talk, o público poderá conhecer de perto esse percurso artístico e compreender como os saberes tradicionais do Tocantins atravessam e inspiram a criação contemporânea.
Do movimento do corpo ao movimento do barro
Em “Dança do Pote”, Wanderley Batista parte da observação da Suça, manifestação cultural fortemente presente no Tocantins, para investigar relações entre corpo, ritmo, memória e argila. O giro, a repetição, o movimento circular, a força das mãos e a cadência aproximam simbolicamente o universo da dança do trabalho realizado pelo ceramista.
As obras transformam essa pesquisa em uma espécie de coreografia moldada no barro. Curvas, volumes e formas evocam corpos dançantes e, ao mesmo tempo, remetem à terra, às tradições e aos conhecimentos construídos e transmitidos entre gerações.
O Talk com o Artista amplia essa experiência ao permitir que Wanderley compartilhe diretamente com o público as referências que atravessam seu trabalho e as escolhas feitas durante o desenvolvimento da exposição. “A Dança do Pote nasce desse desejo de perceber que o barro também pode dançar. O movimento das mãos do oleiro, o movimento do corpo na Suça e o som dos instrumentos de barro fazem parte de uma mesma linguagem: a linguagem da terra e da memória. Quando transformamos esses movimentos em peças, estamos também falando das pessoas, das histórias e dos saberes que ajudaram a construir a identidade cultural do Tocantins”, explica Wanderley. Além da conversa, quem participar do encontro terá a oportunidade de conhecer de perto as peças cerâmicas da exposição, observando detalhes que traduzem em matéria os movimentos que inspiraram o projeto.
Arte, ancestralidade e novos encontros
A exposição está instalada no ambiente “Caminho dos Quilombos”, dentro da CASACOR Tocantins. A presença das obras nesse espaço estabelece um diálogo entre cerâmica, cultura popular, memória, ancestralidade, arquitetura, design e produção artística contemporânea. Para a produtora cultural Daniella Aires, a conversa com Wanderley cria uma possibilidade de o público ir além da contemplação das obras e compreender as histórias que estão presentes em cada peça. “Quando o público tem a oportunidade de ouvir o artista falar sobre sua criação, a experiência da exposição ganha outras camadas. As pessoas passam a compreender não apenas a técnica, mas os territórios, as memórias e as referências culturais que deram origem àquelas peças. O Talk é um convite para olhar a Dança do Pote com mais proximidade e perceber o quanto a nossa cultura tradicional permanece viva, pulsante e capaz de inspirar novas linguagens”, destaca.
Segundo Daniella, o projeto também pretende ampliar os espaços ocupados pela arte produzida no Tocantins e aproximar diferentes públicos dos saberes relacionados à cerâmica e às manifestações populares. “Dança do Pote fala sobre aquilo que somos e sobre conhecimentos que continuam sendo transmitidos e reinventados. Queremos que as pessoas se reconheçam nessas referências e, ao mesmo tempo, descubram novas possibilidades de olhar para a cultura tocantinense”, acrescenta.
Circulação
A temporada em Palmas integra a circulação do projeto “Dança do Pote”, que também prevê ações em outros territórios. Após a Capital, a iniciativa segue para a Vila de São Jorge, em Alto Paraíso de Goiás, e para Natividade, no Tocantins, aproximando a proposta artística de cidades e comunidades marcadas por fortes relações com cultura, território, tradição e ancestralidade.
Mais do que uma exposição convencional, o projeto foi pensado como uma experiência multidisciplinar. Ao longo da circulação, cerâmica, música e dança se encontram em atividades que incluem conversas com o artista, oficinas e outras ações de aproximação com o público.
O projeto “Dança do Pote” foi aprovado no Promic 2025 – Programa Municipal de Incentivo à Cultura, da Fundação Cultural de Palmas, com recursos do Fundo Municipal de Apoio à Cultura.
Fonte: Cinthia Abreu

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