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    Políticas Públicas

    ‘A vida é feita de escolhas, e eu escolhi sair’, diz Teich ao deixar Ministério da Saúde, sem explicar motivo

    Por Núbia Dourado15 de maio de 20203 minutos de leitura

    Oncologista pediu exoneração menos de um mês depois de assumir o cargo

     

    O oncologista Nelson Teich agradeceu a sua equipe ao se despedir do Ministério da Saúde, cargo do qual ele pediu demissão nesta sexta-feira, menos de um mês depois de assumi-lo. No breve discurso, que durou cinco minutos e 35 segundos, Teich não explicou o motivo da exoneração.

     
     
     

    —  A vida é feita de escolhas e hoje eu escolhei sair […] Não é uma coisa simples estar a frente de um ministério como esse em um período tão difícil. Agradeço ao meu time que sempre esteve ao meu lado. É um trabalho de um grande time —  disse ao lado do secretário-executivo do ministério, Eduardo Pazuello, nome cotado para assumir o comando da pasta.

     

    Durante sua fala, Teich defendeu a importância de articulação com estados e municípios e afirmou que deixou  diretrizes para orientar a tuação desses gestores. Segundo ele, essa articulação é “essencial” para conduzir a saúde no país.

    —  Deixo um plano de trabalho pronto para auxiliar os secretários estaduais e municipais, prefeitos e governadores a tentar entender o que está acontecendo e definir próximos passos.

    Apesar da referência, a articulação falha do ministro com gestores estaduais e municipais foi um dos elementos de seu isolamento na pasta. Na quarta-feira, Teich desistiu de apresentar a matriz de isolamento proposta pelo ministério após não conseguir consenso diante da proposta.

    Diferentemente de seu atencessor, Teich evitou falar sobre motivos que possam ter levado à decisão de sair da pasta e apenas agradeceu o presidente Bolsonaro pela “oportunidade”  de atuar no SUS.

     
     

    — Seria muito ruim para minha carreira não ter tido a oportunidade de atuar no ministério pelo SUS. Nasci graças ao serviço público, sempre estudei em escola pública, minha faculdade foi pública, minhas residências foram em hospitais federais. Fui criado pelo sistema público — disse o ex-ministro.

    — Eu não aceitei o convite pelo cargo, aceitei porque achei que poderia ajudar o Brasil e ajudar as pessoas — acrescentou.

    Teich pediu demissão nesta sexta-feira após 27 dias no comando do Ministério da Saúde. Ele assumiu o cargo no lugar de Luiz Henrique Mandetta (DEM), que também deixou o cargo em meio a desentendimentos com o presidente Jair Bolsonaro.

    As discordâncias entre Bolsonaro e Teich começaram quando o ex-ministro anunciou que a diretriz do governo para orientar estados e municípios em relação às medidas de distanciamento previa o bloqueio total, conhecido como “lockdown”, medida que contraria o presidente, favorável à reabertura da economia.

    O cenário piorou nos últimos dias depois que o presidente exigiu que o Ministério da Saúde alterasse um protocolo do governo para recomendar o uso de medicamentos à base de cloroquina a pacientes infectados pela Covid-19 desde os estágios iniciais da doença.

     

    Bolsonaro é um defensor do uso do medicamento, apesar de não haver consenso na comunidade científica sobre os benefícios da droga no tratamento da doença. Ao contrário, há estudos que indicam que o uso do medicamento pode causar efeitos colaterais como arritmias cardíacas.

    Apesar da insistência do presidente, Teich se mostrou contrário a uma recomendação de uso mais ampla para o medicamento. Atualmente, o protocolo do Ministério da Saúde é para que a droga só seja usada em pacientes considerados graves ou críticos.

    Uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM), no entanto, libera médicos a receitarem o medicamento em outras fases da doença, desde que os pacientes sejam previamente informados sobre os seus possíveis efeitos colaterais. 

     

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