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    Natureza

    Número de alertas de desmatamento na Amazônia em setembro é o segundo pior desde 2015

    Por Núbia Dourado13 de outubro de 20204 minutos de leitura

     

     13 de outubro de 2020  Site  0 comentários alertas de desmatamento, desmatamento na Amazônia

    Segundo dados do INPE, 964 km² de floresta amazônica no país ficaram sob alerta no mês passado. Número só é menor que setembro de 2019, quando área chegou a 1.454 km²

    Vista aérea de floresta amazônica desmatada em Sinop, no Mato Grosso.
    Vista aérea de floresta amazônica desmatada em Sinop, no Mato Grosso.FLORIAN PLAUCHEUR / AFP

    O Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (INPE), responsável por monitorar o desmatamento no Brasil, divulgou nesta sexta-feira (9) os dados de setembro na Amazônia Legal, área delimitada pelo Governo que contempla nove Estados brasileiros com vegetação amazônica e corresponde até 59% do território do país. Segundo o órgão federal, 964 quilômetros quadrados de floresta amazônica estiveram sob alerta de desmatamento em setembro, o segundo pior número do mês desde que o Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) começou a fazer os alertas sobre a cobertura florestal, em 2015.

    A maior área sob alerta de desmatamento em um mês de setembro foi em 2019, quando o Deter apontou o risco em 1.454 quilômetros quadrados da Amazônia Legal. O levantamento do INPE é feito desde 2015. De lá para cá, os alertas vêm subindo ano a ano: 497 quilômetros quadrados em 2015, 691 quilômetros quadrados (2016) e 746 quilômetros quadrados (2018). Entre 2015 e 2018, a média mensal de alertas de desmatamento feitos pelo Deter foi de 576 km². Desde 2019, quando Jair Bolsonaro assumiu a Presidência da República, o número mensal saltou para 1.189 km². De acordo com o Observatório do Clima, rede composta por 52 organizações não governamentais e movimentos sociais, as queimadas na Amazônia entre maio e setembro foram 21% maiores do que no mesmo período do ano passado.

     

    Entre os nove Estados que contemplam a Amazônia Legal (Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocatins), o Pará foi onde registraram a maior área em alerta: 426 quilômetros quadrados, seguidos dos 184 km² do Mato Grosso e 157 km² de Rondônia. São Félix do Xingu, no Pará, foi o município que mais desmatou, com mais de 70 quilômetros quadrados.

    O vice-presidente Hamilton Mourão comanda há cinco meses a Operação Verde Brasil 2, que mobiliza parte das Forças Armadas para combater os desmatamentos e queimadas na Amazônia. Mesmo assim, o Observatório do Clima alerta que, nos meses mais secos do ano (maio a setembro) que corresponde à atuação da Operação, o desmatamento segue duas vezes maior do que nos três anos anteriores da série. No início de outubro, o Governo nomeou o engenheiro Clezio Marcos De Nardin como diretor do Instituto, substituindo o interino militar Darcton Policarpo Damião.

     

    O desmatamento tem sido o calcanhar de Aquiles do Governo, atraindo críticas e pressão nacional e internacional da sociedade civil e até da iniciativa privada, que teme perder negócios no exterior em função da falta de resultados nessa área. O Governo já recebeu carta de embaixadores de oito países, além de um manifesto de bancos, empresas e fundos de investimento para que haja uma ação mais efetiva na proteção da Amazônia e, mais recentemente, do Pantanal. O presidente Jair Bolsonaro, porém, assim como Mourão, tem adotado um discurso que nega responsabilidade. Bolsonaro chegou a culpar os indígenas em discurso durante a Assembleia Geral da ONU, muito embora todas as evidências apontem a ação de fazendeiros tanto na Amazônia quanto no Pantanal, como mostram investigações da Polícia Federal deste ano e do ano passado.

     

    “Os números do desmatamento continuam altos e inaceitáveis. Enquanto o vice-presidente demonstra o mesmo negacionismo sobre a crise ambiental do presidente e do ministro do Meio Ambiente, o crime corre solto na Amazônia, com a certeza da impunidade”, disse Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima. “Essa atitude produz destruição, evasão de divisas, emissões de carbono e danos comerciais, como vimos nesta semana com a indicação do Parlamento Europeu de que não aprovará o acordo entre a União Europeia e o Mercosul“, completou.

    O Sistema de Detecção de Desmatamento tem como objetivo produzir sinais diários de alteração na cobertura florestal para áreas maiores que três hectares (0,03 km²), que serve tanto para áreas totalmente desmatadas como para aquelas em alerta de degradação florestal. Apesar de apontar as áreas que precisam ser fiscalizadas pelo Ibama, o Deter não é o responsável por mostrar as taxas oficiais de desmatamento. Estas, que são as consideradas pelo Governo federal, são medidas pelo Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite), outro órgão do INPE, que divulga os dados uma vez por ano, considerando o período entre agosto e julho. No ano 2018-2019, a taxa do Prodes foi 42% maior do que a apontada pelo Deter no mesmo período.

    Por: Diogo Magri
    Fonte: El País

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