Espetáculo da Companhia A Barraca levou ao palco uma comédia sobre mulheres, afetos, aplicativos, recomeços e sororidade; circulação é realizada via Promic, da Fundação Cultural de Palmas
A comédia teatral “TinderElas no Divã”, da Companhia A Barraca, movimentou o público recifense na noite da última sexta-feira, 3 de julho, no Teatro Apolo, em Recife (PE). Com casa cheia, ingressos esgotados e plateia envolvida do início ao fim, o espetáculo levou ao palco uma trama marcada por humor, identificação e reflexões sobre os afetos contemporâneos.
Com texto de Mariana Freitas e Mariana Ramos, direção-geral de Cícero Belém e produção executiva de Cinthia Abreu, a montagem acompanha cinco mulheres que se encontram em uma sala de espera de terapia. Enquanto aguardam a chegada do terapeuta, Dr. Pierre, o atraso transforma o ambiente em uma inesperada sessão coletiva de desabafos, confissões e descobertas.
A apresentação em Recife integrou o projeto de circulação nacional do espetáculo, aprovado pelo Promic – Programa Municipal de Incentivo à Cultura, da Fundação Cultural de Palmas, com patrocínio da Prefeitura de Palmas, por meio do Fundo de Apoio à Cultura. A iniciativa fortalece a difusão da produção teatral tocantinense e amplia o acesso de novos públicos à cena artística produzida no Tocantins.
Para a produtora executiva e presidente da Companhia A Barraca, Cinthia Abreu, a apresentação em Recife foi um momento simbólico para a trajetória do grupo. “Apresentar ‘TinderElas no Divã’ no Teatro Apolo, com casa cheia e uma recepção tão calorosa, foi uma experiência muito emocionante para toda a equipe. O espetáculo nasceu no Tocantins, fala de mulheres reais, de afetos, de conflitos e de recomeços, e perceber que essa história dialoga com públicos de outros territórios confirma a potência do teatro como espaço de encontro. Essa circulação só é possível graças às políticas públicas de cultura, especialmente ao Promic e à Fundação Cultural de Palmas, que permitem que a produção local alcance novos palcos e novas plateias”, destacou Cinthia.
Plateia
A força da montagem também foi percebida pelo público. A assistente social Mariana Lins, que acompanhou a apresentação, afirmou que a peça provoca riso, mas também identificação. “A gente ri muito, mas também se reconhece nas situações. São mulheres diferentes, com histórias diferentes, mas todas carregam questões que atravessam a vida de muitas de nós. Saí do teatro pensando sobre afeto, amizade e sobre como é importante falar de nossas dores com leveza”, disse.
Para o professor de teatro João Paulo Menezes, a montagem se destaca pelo ritmo e pela relação direta com a plateia. “É uma comédia muito viva, com personagens fortes e um texto que conversa com o público”, avaliou. A estudante universitária Letícia Albuquerque destacou a atualidade da temática. “Falar de relações em tempos de aplicativos é falar da nossa geração também. A peça mostra o quanto as pessoas estão conectadas, mas, muitas vezes, continuam se sentindo sozinhas. Achei engraçada, verdadeira e muito necessária”, comentou.
Já a produtora cultural Renata Cavalcanti ressaltou a importância da circulação de grupos de outros estados em Recife. “Foi muito bonito ver uma companhia do Tocantins ocupando o Teatro Apolo com um trabalho tão potente. Essa troca entre territórios é fundamental para o teatro brasileiro. A peça tem identidade, tem presença feminina forte e tem uma comunicação muito direta com o público”, afirmou. O servidor público Carlos Eduardo Rocha também destacou o impacto da apresentação. “Fui esperando uma comédia leve e encontrei também uma reflexão sobre comportamento, relacionamentos e escuta. O espetáculo diverte, mas também mostra como cada pessoa carrega suas inseguranças e expectativas. Foi uma noite muito especial”, disse.
Elenco
No elenco, as atrizes celebraram a recepção do público pernambucano. Para Ana Kamila Castaño, a apresentação em Recife foi marcada pela troca intensa com a plateia. “O público entrou no jogo com a gente desde o início. É muito bonito perceber que personagens criadas a partir de experiências tão femininas e contemporâneas conseguem tocar pessoas de diferentes lugares”, afirmou. A atriz Cleuda Milhomem destacou que o espetáculo fala sobre escuta e acolhimento. “Essas mulheres chegam à sala de espera cheias de defesas, julgamentos e urgências. Mas, aos poucos, elas se escutam. Para mim, essa é uma das maiores belezas da peça: mostrar que, mesmo entre conflitos, é possível construir acolhimento e reconhecer a humanidade da outra”, disse.
Para Iva de Oliveira, o humor é o caminho para tratar temas delicados. “A comédia abre portas. O público ri porque se identifica, porque conhece aquelas situações, porque já viveu ou viu alguém viver algo parecido. Mas, por trás do riso, existe uma conversa muito importante sobre cobrança social, autoestima, afeto e liberdade”, ressaltou. A atriz Magna Carneiro afirmou que a pluralidade das personagens é um dos pontos fortes da montagem. “Não existe uma única forma de ser mulher. A peça mostra mulheres com idades, desejos, medos e trajetórias diferentes. Elas são fortes, frágeis, contraditórias, engraçadas e reais. Acho que é por isso que o público se aproxima tanto delas”, destacou.
Já Sheyla Virgínio comemorou a energia da apresentação em Recife. “Foi uma noite de muita entrega. Recife recebeu ‘TinderElas no Divã’ com alegria, generosidade e atenção. É muito gratificante levar esse trabalho para outros palcos e ver que essa história também pertence a outras mulheres, outras cidades e outros públicos”, afirmou. Para o ator convidado Rodolfo Herculano, natural de Recife, a apresentação teve um sentido afetivo especial. “Estar em cena no Teatro Apolo, na minha cidade, foi uma emoção muito grande. Recife é o meu lugar de origem, onde estão muitas das minhas memórias, e poder apresentar diante de familiares, amigos e pessoas que acompanham minha trajetória tornou essa noite ainda mais especial. Foi bonito sentir o carinho da plateia e perceber como o espetáculo, mesmo nascendo no Tocantins, dialoga com o público daqui. O teatro tem essa força de aproximar histórias, territórios e afetos”, destacou.
Contrapartida
A apresentação contou com ações de acessibilidade, incluindo Libras e espaço acessível para pessoas com deficiência. O projeto incluiu ainda a roda de conversa “Vamos Juntas?”, que instigou a reflexão sobre sororidade e empoderamento feminino, com a participação da Associação Gris – Casa Maria de Lourdes, de assistência social às mulheres em situação de vulnerabilidade social. Além de participar da roda de conversa, a instituição recebeu cortesias para prestigiar a apresentação gratuitamente.
O espetáculo “TinderElas no Divã” integra projeto aprovado pelo Promic – Programa Municipal de Incentivo à Cultura, da Fundação Cultural de Palmas, com recursos do Fundo de Apoio à Cultura da Prefeitura Municipal de Palmas, contrato nº 011/2026.
Sobre a Companhia A Barraca
A Companhia A Barraca é uma companhia de artes sediada em Palmas, no Tocantins, com atuação na criação, produção, formação e circulação de projetos culturais. Ao longo de sua trajetória, fundada em 2002, desenvolve ações nas áreas de teatro, audiovisual, música, literatura, cultura popular, formação artística e projetos socioculturais, tendo como princípios a democratização do acesso à arte, o fortalecimento da produção cultural tocantinense e a valorização de narrativas sociais, femininas, populares e comunitárias.
FICHA TÉCNICA
Dramaturgia: Mariana Freitas e Mariana Ramos
Direção geral: Cícero Belém
Coordenação Geral de Produção e Produção Executiva: Cinthia Abreu
Elenco: Ana Kamila Castaño, Cleuda Milhomem, Iva de Oliveira, Magna Carneiro e Sheyla Virgínio
Assistente de produção: Leidiane Martins
Produção local: Thays Mello, Pareia Cultural
Apoio técnico e portaria: Dhienne, Iyadirê Zidanes, Rafaela Quintino, Yassin Caúla, João Rosa e Morgana Narjara
Assessoria de Imprensa: Lenne Ferreira e Maya Santos
Preparação vocal e corporal: Anne Raelly
Iluminação: Charles Nunes
Libras: Vinicius Silva e Jéssica Alves

Fonte: Cinthia Aabreu

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