Espetáculo marca os 17 anos da companhia tocantinense e os cinco anos de “As Charlatonas”; após apresentação na Capital, grupo segue para temporada de circulação em São Paulo
Celebrando 17 anos de trajetória dedicados ao circo, à palhaçaria e à cultura popular, a Trupe-Açu Cia de Circo apresenta em Palmas, na sexta-feira, 9 de outubro, o espetáculo “As Charlatonas”. A apresentação abre uma programação especial que também celebra os cinco anos do espetáculo e antecede uma circulação da companhia por São Paulo, onde serão realizadas três apresentações entre os dias 14 e 19 de outubro.
Protagonizado pelas personagens Tapioca e Girassol, “As Charlatonas” reúne circo, palhaçaria, comicidade e interação com o público para contar, de maneira divertida e sensível, histórias de mulheres cientistas, inventoras e outras personagens femininas que contribuíram para a sociedade, mas que tiveram suas trajetórias invisibilizadas ou pouco reconhecidas ao longo da história.
Em cena, Tapioca e Girassol são duas vendedoras de invenções que, entre experiências mirabolantes, conflitos, cumplicidades e muita palhaçada, conduzem o público por diferentes histórias. O espetáculo diverte crianças e adultos ao mesmo tempo em que provoca reflexões sobre a presença, a contribuição e o protagonismo das mulheres.
A apresentação em Palmas possui um significado especial para a companhia justamente por acontecer no território onde a Trupe-Açu construiu sua história.
Para a artista Ester Monteiro, comemorar os 17 anos da companhia diante do público tocantinense reafirma a escolha de construir uma trajetória artística a partir do Norte do Brasil. “Celebrar esses 17 anos em Palmas tem um significado muito forte para nós porque é aqui que está a nossa história, o nosso público e a base de tudo o que construímos. A Trupe-Açu nasceu no Tocantins, escolheu permanecer aqui e fazer daqui o ponto de partida da nossa arte. Poder comemorar essa trajetória apresentando ‘As Charlatonas’ e, logo depois, levar esse trabalho para São Paulo mostra que é possível criar, pesquisar, amadurecer artisticamente e fazer a nossa produção circular sem abrir mão do território de onde viemos”, destaca Ester.
17 anos de circo, palhaçaria e resistência
Criada em 2009, a Trupe-Açu constrói sua trajetória a partir de Taquaruçu, no Tocantins, tendo o circo, a palhaçaria e a cultura popular como principais linguagens de investigação e criação. Ao longo de 17 anos, a companhia independente, formada por mulheres, desenvolveu uma atuação marcada pela pesquisa artística, circulação, formação de públicos e realização de projetos em diferentes territórios.
Mais do que uma sequência de apresentações, a história da Trupe-Açu é marcada pela permanência e pela decisão de construir possibilidades de viver profissionalmente da arte a partir do Norte do Brasil. A companhia já realizou espetáculos, cabarés, oficinas, ações formativas, intervenções em espaços públicos e projetos de circulação, mantendo uma pesquisa especialmente ligada à palhaçaria feminina e ao protagonismo das mulheres no circo.
Entre os projetos que fazem parte dessa trajetória estão “As Charlatonas”, “Circo no Jalapão”, “Cabaré Mama Cadela”, “Circo Cine Trupe-Açu” e “A Ciranda da Quebradeira”.
“As Charlatonas” completa cinco anos
Dentro dessa trajetória, “As Charlatonas” ocupa um lugar especial. O espetáculo chega aos cinco anos de existência justamente no momento em que a Trupe-Açu completa 17 anos. A montagem representa um período de amadurecimento da pesquisa da companhia sobre a comicidade feminina e reúne características que atravessam sua produção artística: palhaçaria, interação direta com o público, protagonismo das mulheres e abordagem de questões sociais por meio do humor.
Na trama, as palhaças Tapioca e Girassol apresentam suas invenções enquanto revelam histórias de mulheres cientistas, inventoras e personagens fundamentais para diferentes áreas do conhecimento e da sociedade. O espetáculo propõe que essas histórias sejam retomadas pelo olhar da palhaçaria, transformando informação, memória e reflexão em uma experiência cômica e acessível para diferentes públicos.
A artista Giovana Kurovski, afirma que a Trupe-Açu é para ela uma grande escola da vida profissional como palhaça e fazer parte da concepção do espetáculo As Charlatonas foi uma faculdade. “Nesse processo, aprendi o que era transformar um sonho em realidade. Aprendi o que era realmente pensar em um figurino, um cenário, uma sonoplastia e uma dramaturgia como se cada um fosse uma peça de uma máquina que, ao final, se encaixariam e funcionariam como uma engrenagem. Esse espetáculo me transformou como artista e, principalmente, como dupla”, afirma.
Depois de Palmas, destino é São Paulo
Após a apresentação em Palmas, a Trupe-Açu embarca para uma nova etapa da circulação de “As Charlatonas”: São Paulo. A companhia realizará três apresentações na capital paulista, passando pela Cidade Tiradentes, Cangaíba e Jardim João XXIII. A passagem pela capital paulista representa um novo momento para uma companhia que já acumula ampla experiência de circulação pelo país.
Para a artista Giovana Kurovski, a chegada a São Paulo após a comemoração em Palmas simboliza a maturidade alcançada pela companhia e amplia o diálogo da produção cultural tocantinense com outros circuitos. “Primeiro celebramos em casa, junto do público que acompanha e fortalece nossa caminhada, e depois seguimos para São Paulo levando conosco esses 17 anos de história. Hoje temos uma outra concepção de tudo o que aconteceu, mas ela ainda se apoia fortemente nas raízes do nosso começo, quando fazíamos praça para rodar o chapéu sem saber com quanto voltaríamos para casa. Acredito que tudo isso que vivemos foi impresso nesse espetáculo. E, a cada dia que escolhemos continuar, acrescentamos mais detalhes a essa história. Talvez seja justamente isso que mais me encanta: perceber que As Charlatonas continua crescendo junto com a gente, carregando as marcas de quem fomos, de quem somos e de tudo o que ainda podemos ser”, complementa Giovana.
Produzir a partir do Norte
A circulação também carrega um posicionamento que acompanha a história da Trupe-Açu: a defesa do Norte como território de criação, pesquisa e produção cultural. Durante quase duas décadas, a companhia vem construindo uma trajetória profissional a partir do Tocantins, contrariando a lógica segundo a qual artistas precisam necessariamente deixar suas regiões para legitimar suas produções nos grandes centros culturais.
A Trupe-Açu escolheu permanecer, criar e trabalhar a partir de Taquaruçu, fortalecendo públicos, artistas, redes e iniciativas locais e, ao mesmo tempo, construindo caminhos para que essa produção circule por outros territórios. A chegada a São Paulo, por isso, não representa o início da trajetória de circulação do grupo, mas mais uma etapa de uma companhia que acumulou experiência, pesquisa e estrada ao longo de 17 anos. “Não é apenas levar um espetáculo para São Paulo. É levar uma pesquisa que nasceu no Tocantins e uma produção que vem sendo construída há quase duas décadas no Norte do Brasil. Queremos fazer novos encontros, criar conexões e contribuir para que outras companhias nortistas também enxerguem esses espaços como lugares que podem e devem ser ocupados”, complementa Giovana.
SERVIÇO
O quê: Espetáculo “As Charlatonas” – Trupe-Açu Cia de Circo
Celebração: 17 anos da Trupe-Açu e 5 anos de “As Charlatonas”
PALMAS – TO
Data: 9 de outubro de 2026
Local: Espaço cultural de Palmas – TO
Apresentação: “As Charlatonas”, com Tapioca e Girassol
CIRCULAÇÃO EM SÃO PAULO
14 de outubro – quarta-feira
Horário: 15h
Local: Palombar
Endereço: Av. dos Metalúrgicos, 2100 – Cidade Tiradentes – São Paulo/SP
18 de outubro – domingo
Horário: 11h
Local: Lona Miss Jujuba – Teatro Flávio Império
Endereço: Rua Prof. Alves Pedroso, 600 – Cangaíba – São Paulo/SP
19 de outubro – segunda-feira
Horário: 14h30
Local: CEU Uirapuru
Endereço: Rua Nazir Miguel, 849 – Jardim João XXIII – São Paulo/SP
Fonte: Cinthia Abreu

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