Projeto levou oficinas e apresentações a três escolas, aproximando os estudantes dos saberes tradicionais e da preservação dos buritizais
Entre os dias 29 de setembro e 1º de outubro, o projeto Viola de Buriti do Jalapão realizou oficinas e apresentações musicais em três escolas de tempo integral de Palmas. Com a cantora e compositora Núbia Dourado e os artistas Missim da Viola de Buriti e Arnon Tavares, as ações combinaram arte, valorização da cultura local e educação ambiental.
A programação passou pelas escolas Olga Benário, João Beltrão e Fidêncio Bogo, sendo as duas últimas em Taquaruçu Grande. As atividades contaram com interpretação em Libras como medida de acessibilidade.
Na ETI João Beltrão, que recebeu o projeto em 30 de setembro, os alunos cantaram, interagiram com os artistas e formaram um coral com Missim. Também participaram da oficina de construção da viola de buriti, ministrada por Arnon.
Segundo a equipe diretiva da escola, um dos aspectos que mais despertou a curiosidade das crianças foi descobrir que os instrumentos eram confeccionados com o talo do buriti, palmeira presente nos arredores da unidade.
“Foi, sem dúvida, uma verdadeira aula prática de arte, artesanato, cultura e educação ambiental”, avaliou a equipe diretiva da ETI João Beltrão.
A experiência permitiu trabalhar o uso consciente dos recursos naturais a partir de um elemento familiar aos estudantes. Ao conhecerem a transformação do talo do buriti em instrumento musical, as crianças também foram incentivadas a refletir sobre a preservação dos buritizais.
“A experiência proporcionada pelo projeto dialoga diretamente com a proposta de uma educação que valoriza o território, a cultura local, os saberes tradicionais e a relação das nossas crianças com a natureza”, destacou a equipe da escola.
Saberes que atravessam gerações
Arnon Tavares veio especialmente do Quilombo Mumbuca para compartilhar seus conhecimentos com os estudantes de Palmas.
“Fico muito feliz de ver nossa cultura jalapoeira entrando nas escolas de Palmas. Isso é muito importante para manter viva a viola de buriti do Jalapão. Isso é cultura viva”, afirma Arnon.
Para Núbia Dourado, levar essas atividades às escolas contribui para aproximar as crianças da cultura de seu estado.
“É muito importante que nossas crianças conheçam a cultura tradicional do Tocantins. Levar essa história às escolas por meio da música e das oficinas é uma forma de manter vivos os saberes do Jalapão e a sonoridade da viola de buriti”, afirma a cantora.
Missim também destaca a importância do trabalho coletivo. “Quando artistas e amigos se unem, a nossa cultura se fortalece. Amamos o Jalapão, e ver esse projeto acontecer tem um significado muito especial para nós”, ressalta.
Além da programação em Palmas, o projeto realizou uma oficina na Escola Silvério Ribeiro Matos, no Quilombo Mumbuca, promovendo a transmissão desses saberes às novas gerações da comunidade.
Fomento à cultura
O projeto tem produção do Instituto Terra Dourada e apoio da Prefeitura de Novo Acordo. A iniciativa foi contemplada pelo Edital nº 28/2024 – Fomento a Projetos Continuados de Pontos de Cultura, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc/PAAR 2024, do Ministério da Cultura, operacionalizados pela Secretaria da Cultura do Tocantins.
Mais informações: www.violadeburitidojalapao. com.br

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