Obra reúne relatos de 14 mulheres de Dorilândia, em Sandolândia, e transforma experiências de vida em um registro de memória, resistência e protagonismo feminino
As histórias de vida, os desafios e as conquistas de mulheres do distrito de Dorilândia, no município de Sandolândia, no sul do Tocantins, ganharam espaço na literatura por meio do livro “Vozes Silenciadas: do silêncio ao protagonismo – Resgatando Memórias das Mulheres de Dorilândia”.
Publicada pela Editora Veloso, a obra nasceu de um projeto interdisciplinar desenvolvido com estudantes da 2ª série do Ensino Médio da Escola Estadual Padre José de Anchieta, sob a organização dos professores Aizam Cristina Alves da Silva e Luan Alves de Sá.
A iniciativa transformou uma atividade pedagógica em um importante registro da memória local, dando visibilidade às trajetórias de mulheres que contribuíram para a construção social, cultural e familiar da comunidade.
Histórias de vida que atravessam gerações
O livro reúne 14 entrevistas realizadas pelos estudantes, abordando temas como infância, educação, maternidade, trabalho, relações familiares, dificuldades enfrentadas e transformações sociais.
Entre as mulheres entrevistadas estão Dona Creuza, Anna Lúcia Zavatta de Carvalho, Laura Lisboa de Brito, Núbia Francisca Passarinho, Madalena Corrêa de Andrade e a própria professora Aizam Cristina.
Os relatos revelam experiências marcadas por desafios, superações e conquistas, destacando o papel das mulheres na formação da comunidade e na transmissão de conhecimentos entre gerações.
Ao registrar essas histórias, o projeto também contribui para que as novas gerações conheçam e valorizem as experiências de mulheres que, muitas vezes, não aparecem nos registros históricos tradicionais.
Estudantes se tornam pesquisadores da própria comunidade
Desenvolvido nas disciplinas de Língua Portuguesa e Educação Física, o projeto proporcionou aos estudantes uma experiência de pesquisa, escuta e produção de conhecimento.
Os alunos participaram da realização de entrevistas e do registro de depoimentos, transformando histórias transmitidas oralmente em um documento que poderá ser consultado por futuras gerações.
Além da preservação da memória, a iniciativa estimulou reflexões sobre os direitos das mulheres, desigualdades sociais e enfrentamento da violência de gênero.
A obra também apresenta registros de rodas de conversa e atividades de conscientização realizadas durante o desenvolvimento do projeto.
“Dar voz também é preservar memória”, destaca a apresentação do livro, sintetizando a proposta de reconhecer a importância das experiências femininas na construção da história local.
Trajetória de professora inspira projeto
A idealizadora do projeto, professora Aizam Cristina Alves da Silva, também compartilha sua própria história na publicação.
Marcada por desafios familiares e experiências relacionadas à violência contra a mulher, Aizam enfrentou dificuldades para continuar estudando após se tornar mãe na adolescência.
Depois de um período afastada da escola, retomou os estudos e conciliou o trabalho como merendeira com a conclusão do Ensino Médio, até realizar o sonho de se tornar professora.
Sua trajetória de perseverança e valorização da educação contribuiu para a criação do projeto, que busca incentivar outras mulheres a reconhecerem sua importância e seu protagonismo na sociedade.
Educação e literatura como instrumentos de transformação
O professor Luan Alves de Sá, que também organiza a obra, é natural de Araguaçu e cresceu na Fazenda Lago Grande, em Sandolândia.
Licenciado em Educação Física e Letras, com pós-graduações nas áreas de Educação Física Escolar, Artes e Educação Especial, atua na rede estadual de ensino como professor de Educação Física e coordenador pedagógico da área de Linguagens e Ciências Humanas na Escola Estadual Padre José de Anchieta.
Sua trajetória profissional inclui o desenvolvimento de projetos educacionais e esportivos, com reconhecimento em iniciativas voltadas às escolas do campo.
A participação dos dois educadores demonstra como a escola pode ultrapassar os limites da sala de aula, estimulando pesquisas sobre a própria comunidade e fortalecendo o sentimento de pertencimento dos estudantes.
Memória, identidade e valorização das mulheres
Mais do que uma coletânea de entrevistas, “Vozes Silenciadas” representa uma iniciativa de valorização da identidade local e de reconhecimento das mulheres como protagonistas de suas próprias histórias.
Ao reunir estudantes, professores e moradoras de Dorilândia, o projeto mostra a importância da educação na preservação da memória coletiva e na promoção de debates sobre igualdade, respeito e direitos das mulheres.
A publicação deixa como legado um registro das experiências femininas da comunidade, contribuindo para que essas histórias sejam conhecidas, compartilhadas e preservadas pelas próximas gerações.
Fonte: Texto de Zacarias Martins

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