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    Bancada indígena no Brasil: pela primeira vez, mulheres são protagonistas

    Núbia DouradoPor Núbia Dourado29 de setembro de 20225 minutos de leitura
    Imagem: Divulgação/Lucas Santos Nascimento

     

     

    Por Raabe Andrade

     

    Das 30 candidaturas da bancada, de todas as partes do país, mais da metade são mulheres

     

    Pouco a pouco, indígenas vem ganhando espaço na política. Em 2022, foram lançadas 180 candidaturas indígenas, para todos os cargos políticos em disputa, com exceção à presidência. Na comparação com as eleições de 2018, são 56 candidaturas a mais e 106 se olharmos para 2014, quando houve apenas 74 candidatos indígenas. Além disso, neste ano, pela primeira vez, foi lançada uma frente de representação indígena organizada: a Campanha Indígena ou Bancada Indígena.

    Esses números devem, sim, ser comemorados, mas representam apenas o começo da batalha. Nos pleitos eleitorais municipais, o número de candidatos indígenas costuma ser maior; inclusive, houve um pequeno aumento na quantidade de eleitos em 2020. Mas, quando falamos da política nacional, esse número é ínfimo. Prova disso é que, dos 28.274 candidatos deste ano, apenas 180 são indígenas.

    Para se ter uma ideia, o primeiro deputado federal indígena – o cacique xavante Mário Juruna – foi eleito em 1982 e não conseguiu a reeleição. Um novo representante indígena no Legislativo nacional só foi eleito quase 37 anos depois. Joenia Wapichana assumiu em 2020 como a primeira e única mulher indígena eleita, até hoje, como deputada federal. É essa realidade que a Campanha Indígena pretende mudar.

    Bancada Indígena

    A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) lançou, a partir de indicações de organizações indígenas de base, 30 candidaturas de todas as regiões do país e de 31 povos. A aposta em uma organização institucionalizada da representação indígena é um projeto político de longo prazo, que envolve a construção de lideranças, processos formativos e a articulação de base, de acordo com a Apib.

    “Entendemos a Campanha Indígena como um programa mais estruturante, onde a bancada de candidaturas apresentada integra parte do nosso projeto de fortalecimento de participação política por meio da disputa eleitoral. Precisamos ocupar os espaços de decisão e direcionarmos as políticas públicas de acordo com o que pensamos para nosso futuro”, afirma Dinaman Tuxá, um dos coordenadores executivos da Apib.

    Das 30 candidaturas da Bancada Indígena, 12 pleiteiam cargos de deputado federal e 18 cargos de deputado estadual. Mais da metade dessas candidaturas são de mulheres, 16 no total. O Tocantins tem dois candidatos concorrendo pela Bancada Indígena: Robson Haritiana, que concorre a deputado estadual e Vanessa Xerente, que concorre à deputada federal.

    Mulher indígena na política

    Vanessa Xerente conta que desde pequena assistia e acompanhava de perto as lutas políticas de seu povo e, por isso, a decisão de se candidatar lhe pareceu um caminho natural. Afirma, também, que a visibilidade feminina na política – principalmente indígena – é uma das suas principais bandeiras.

    “A participação das mulheres é muito pouca no processo eleitoral, especialmente as mulheres indígenas. Então, eu tenho isso comigo: é preciso lutarmos  o tempo todo. Eu sou mãe, sou mulher e não vejo outro modo de lutarmos. Eu só poderia dar uma grande visibilidade às mulheres, às indígenas em especial, participando do processo político, democrático e eleitoral”, afirma.

    Vanessa também reforça a importância desse processo político não só na defesa da mulher, mas na luta pela conservação do meio ambiente. “Hoje, nós temos a bancada ruralista e a bancada evangélica, por que não uma bancada indígena? Nós, povos indígenas, somamos muito para o não indígena. Infelizmente, o agronegócio nos coloca como inimigos, mas não somos inimigos do agronegócio. Se não existir água, chuva, como é que eles vão plantar? Se hoje tem água doce é pela preservação promovida pelos indígenas. E a gente vai preservar, a gente vai continuar lutando pela biodiversidade”, frisa, acrescentando que “já morreu muito indígena, já desceu muito sangue, mas não precisamos mais morrer. Hoje, nós temos a democracia de forma igualitária, de forma acessível e é isso que nós precisamos levar a toda população brasileira e a população do estado do Tocantins precisa entender, porque se não houver indígena, não há Brasil.”

    “Cura ou flecha”

    Para a ativista e presidente do Instituto Indígena do Tocantins, Narubia Werreria, é impossível ignorar a presença feminina indígena na política. Ela afirma que quando uma indígena se levanta, “ela virá com força e sua palavra será cura ou flecha. Não tem como não ser atingido de alguma forma”.

    O histórico de resistência que forja as mulheres indígenas é, para Narubia, a sua grande potência enquanto representantes do povo. “Eu não tenho dúvidas de que a mulher indígena que tem histórico de luta, não terá medo de enfrentar os poderosos que se perpetuam na política brasileira como parasitas do próprio povo. Além de levantarmos a pauta da nossa geração, que é a crise ambiental que vivemos”, enfatiza, concluindo que “se a humanidade quiser ter futuro na terra, o Brasil e o mundo terão que ouvir a voz da mulher indígena.”

     

     

    Esta reportagem foi produzida com apoio do programa Diversidade nas Redações, da Énois, um laboratório de jornalismo que trabalha para fortalecer a diversidade e inclusão no jornalismo brasileiro. Confira as metodologias na Caixa de Ferramentas.

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