A data foi criada pela Organização Internacional do Café (OIC) e é uma oportunidade para conhecer melhor os benefícios
Como símbolo de hospitalidade, afeto, boa prosa e cultura, o café está presente na mesa dos brasileiros. Mas, além do sabor e da tradição, qual é o valor nutricional da bebida? No Dia Internacional do Café, celebrado em 1º de outubro, a nutricionista e coordenadora do curso de Nutrição da Afya Araguaína, Cristiane de Oliveira, esclarece dúvidas e mitos relacionados ao consumo diário.
A data foi criada pela Organização Internacional do Café (OIC) e é uma oportunidade para conhecer melhor os benefícios e os cuidados relacionados ao consumo da bebida.
Segundo Cristiane, além de fazer parte da cultura e da rotina de muitas pessoas, o café, quando consumido puro, apresenta baixo valor calórico. “O primeiro ponto que a gente pensa da questão nutricional é que o café une as pessoas. Então, ele faz parte da antropologia alimentar da nossa sociedade. No mundo todo, e no Brasil isso é muito presente também. Do ponto de vista nutricional, falando em valores nutricionais e calóricos, o café em si não tem calorias. O que tem calorias é o que a gente adiciona”, explica.
A nutricionista destaca que o valor calórico da bebida pode aumentar conforme os ingredientes acrescentados, como açúcar, óleo de coco, creme de leite, chantilly ou chocolate. Por isso, a quantidade e o tipo de complemento devem ser considerados de acordo com os objetivos e as necessidades de cada pessoa. “Então, se a gente está falando de uma pessoa que quer emagrecer, isso já não é indicado. Se é uma pessoa que precisa de uma energia a mais ao longo do dia, pode ser indicado. Então, tudo a gente tem que ponderar de maneira individual”, afirma.
Café dá mais energia?
A sensação de disposição após tomar café está relacionada principalmente à cafeína, substância com efeito estimulante que atua no sistema nervoso central, aumentando o estado de alerta e podendo favorecer a atividade mental e física.
De acordo com Cristiane, a resposta ao consumo de cafeína pode variar entre as pessoas. Além disso, é preciso observar não apenas o café, mas também o que é acrescentado à bebida. “A cafeína é uma substância termogênica que atua no sistema nervoso central, promovendo um estado de alerta e maior atividade física e mental. Embora a percepção desses efeitos varie entre os indivíduos, a maioria das pessoas apresenta essa resposta”, explica.
Ela reforça que o aporte energético do café dependerá dos ingredientes adicionados. Açúcar, leite, creme de leite, chocolate e outros complementos podem aumentar significativamente o valor calórico da bebida.
Café ajuda o intestino a funcionar?
Quem costuma tomar café pela manhã e, pouco depois, sente vontade de ir ao banheiro pode estar percebendo um efeito da cafeína sobre o sistema digestório. “De manhã, depois de tomar o café, pode dar vontade de ir ao banheiro, de evacuar. Isso acontece porque o café, a cafeína, estimula o nosso sistema digestório e isso provoca a vontade de evacuar. Mas existem pessoas, como eu disse anteriormente, que são mais sensíveis a isso, e outras que não”, esclarece Cristiane.
Apesar desse efeito, a nutricionista ressalta que o café não deve ser considerado um laxante ou utilizado como tratamento para a constipação intestinal. “A gente também não pode dizer que o café é laxante. Então, se a pessoa é constipada, tem intestino preso, não é só tomar café que vai resolver. Na questão nutricional, a gente não indica café para melhorar o funcionamento do intestino, porque isso é um conjunto: alimentação, consumo de água e a saúde intestinal como um todo”, afirma.
Café não substitui uma alimentação adequada
Outro cuidado destacado pela nutricionista é o hábito de substituir refeições por várias xícaras de café ao longo do dia, especialmente quando a bebida é consumida com açúcar. “Por mais que o café seja uma cultura e a gente esteja sempre tomando café, oferecendo para a visita, a gente tem que lembrar que ele pode estar associado a um biscoito ou a outras coisas no decorrer do dia. Você não pode simplesmente substituir o café por uma refeição”, alerta.
Segundo ela, passar longos períodos sem consumir uma alimentação adequada e ingerir apenas café com açúcar pode levar a um consumo elevado de açúcar e contribuir para alterações metabólicas, principalmente quando associado ao sedentarismo e a outros fatores de risco. “Tem pessoas que deixam de comer comida de verdade e passam a manhã e a tarde só tomando café com açúcar. Quando a pessoa faz isso, recebe uma carga glicêmica, uma quantidade de açúcar muito grande no sangue. Isso pode favorecer doenças metabólicas, como diabetes e pré-diabetes, e alterações nas gorduras do sangue, principalmente se estiver associado ao sedentarismo e a uma predisposição genética”, explica.
Para a nutricionista, o principal é manter equilíbrio e individualizar a alimentação. “Como qualquer outro alimento, só o alimento em si não vai resolver e também não vai agravar nada. A gente tem que distribuir os nutrientes de maneira adequada”, conclui.

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