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    Povos Tradicionais

    Meninos Javaés se tornarão adultos após ritual Hetohoky na Ilha do Bananal

    Por Núbia Dourado3 de agosto de 20233 minutos de leitura
    Guardiões cantam e dançam pela aldeia durante o Hetohoky. Crédito: Manoel Jr./Governo do Tocantins

    Celebração tradicional do povo Iny marca a transição dos meninos para a vida adulta.

    Ainda era cedo, quando 13 meninos javaés acordaram na Aldeia Boto Velho, na Ilha do Bananal. Com a refeição preparada pelas mulheres, eles se sentaram com os homens, no pátio da aldeia, durante a celebração para se tornarem adultos, o Hetohoky já tinha começado.
    A celebração indígena Hetohoky significa Casa Grande, local construído para o ritual de transição dos meninos para a vida adulta, e acontece entre o povo Iny, formado por Karajá, Karajá-Xambioá e Javaé. Na Aldeia Boto Velho, participaram meninos com idade entre 10 e 18 anos. A cerimônia começou no dia 05 de julho com previsão de término entre os dias 03 a 07 de agosto.
    A escolha da época em que o menino participaria do ritual foi da sua família. “A própria família procura o pajé para passar pelo ritual”, relata o cacique da Aldeia Boto Velho, Wagner Mairea Javaé, que também é pai de um dos meninos participantes do Hetohoky. A cerimônia não era realizada na aldeia há 20 anos. “Tive cinco filhas, depois [nasceu] meu rapaz que está participando agora, então esse intervalo de 20 anos é porque só havia mulheres em casa. Com a chegada dele, me preparei para que isso acontecesse, porque ele tem que passar pelo ritual”, explica o cacique Mairea Javaé.
    Para a cerimônia, eles foram adornados “pelos familiares com pinturas e plumas dos pássaros, os enfeites [são utilizados] para diferenciar que eles estão passando pela fase de menino para rapaz”, esclarece o cacique Mairea Javaé.
    Várias atividades compõem o ritual, a partir da condução dos meninos pelos guardiões (chamados de Aruanã) e por seus padrinhos até a Casa Grande (hetohoky), onde permanecem durante cerca de 21 dias, até o final da cerimônia. De lá, saem para acompanhar atividades do ritual, como caça, cabo de guerra e luta corporal entre seus padrinhos e guerreiros, ou receber o cuidado de suas mães ao passarem o óleo de tucum em suas peles como repelente. Só entram na Casa os padrinhos e guardiões, os quais acompanham todas as saídas dos meninos.
    Enquanto estiverem na Casa Grande, recebem ensinamentos sobre seu povo. “A partir do momento que eles vêm pra cá para se tornarem adultos, aprendem como conduzir aqui dentro, aprendem a ter disciplina e respeito com as pessoas. Aqui esses meninos recebem conselhos de como ser uma boa pessoa”, conta o cacique Mairea.
    A divulgação e valorização de costumes e tradições da população indígena é uma das estratégias para promover a preservação dos patrimônios imateriais adotada pela Secretaria dos Povos Originários e Tradicionais (Sepot), com, por exemplo, a participação presencial em festividades e celebrações para produção de materiais fotográficos e audiovisuais visando também a construção de um acervo sobre a vida dos povos originários no Tocantins.

    Fonte: Ascom SEPOT

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