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    Amazônia

    Marajó Resiliente: projeto apresenta sistemas agroflorestais como ferramenta de adaptação climática no arquipélago do Marajó

    RedaçãoPor Redação17 de dezembro de 20244 minutos de leitura
    Divulgação

    Iniciativa apoiada pelo Fundo Verde para o Clima beneficiará mais de 70 mil pessoas no maior arquipélago Flúvio-marítimo do mundo, localizado na Amazônia brasileira “As mudanças climáticas estão trazendo muita seca. Antes não era assim, a gente plantava, não morria a planta, não morria nada e agora tá morrendo tudo. Sinto que as mudanças climáticas estão secando tudo então, a gente precisa de água”.

    O depoimento é de Joneide Barbosa, 38, agricultora, moradora da Comunidade Quilombola de Caldeirão, no município de Soure, no Marajó, no estado do Pará, Norte do Brasil O desabafo de Joneide reflete a realidade de milhares de marajoaras que enfrentam os impactos das mudanças climáticas no maior arquipélago flúvio-marítimo do mundo. Marés extremas, altas temperaturas e redução das chuvas têm trazido a seca para o território e impactado diretamente na produção da agricultura que é o meio de vida das populações locais, o que leva as famílias produtoras ao risco de insegurança alimentar.

    Em meio a essa crise ambiental, nasce o projeto Marajó Resiliente com a proposta de promover os Sistemas Agroflorestais Diversificados (SAFs) como uma ferramenta de resiliência e mitigação climática, afirma Lanna Peixoto, antropóloga paraense e coordenadora do projeto pela Fundação Avina. “Essas soluções já são desenvolvidas no local, ou seja, sistemas agroflorestais diversificados já são implementados no Marajó, de forma ancestral. A gente está dando visibilidade, reconhecendo e contribuindo para o processo de fortalecimento, dessa solução que é desenvolvida localmente”, afirma.

    Coordenado pela Fundação Avina, em parceria com o Instituto Belterra, Instituto Conexsus e Instituto Internacional de Educação (IEB), o projeto Marajó Resiliente conta com o apoio do Fundo Verde para o Clima (Green Climate Fund – GCF), com a proposta de beneficiar cerca de 74 mil pessoas nos municípios de Salvaterra, Cachoeira do Arari e Soure, promovendo a implementação de sistemas agroflorestais diversificados e tendo como beneficiários agricultores e agricultoras marajoaras. As agroflorestas são sistemas de uso e manejo da terra que combinam culturas agrícolas e criação de animais. Nesse modelo, a diversidade de espécies proporciona benefícios à produção e ao meio ambiente.

    O Marajó Resiliente, que teve início em 13 de fevereiro deste ano e tem previsão de
    execução em cinco anos, busca fortalecer os processos de adaptação já desenvolvidos por agricultores e agricultoras, destacando-os como estratégias eficazes de resiliência climática. O projeto também tem como meta apoiar o protagonismo feminino na agricultura familiar, beneficiando cerca de 50% de mulheres. Além disso, as comunidades quilombolas também fazem parte dos beneficiários prioritários.
    A iniciativa, construída a partir de consultas às comunidades locais e à sociedade civil de forma colaborativa por cinco anos,está estruturada em três componentes, cada um liderado por uma instituição parceira. O Instituto Belterra será responsável pela implantação de 800 hectares de sistemas agroflorestais diversificados.Já o IEB atuará na governança climática, promovendo um diálogo maior com o governo local, estadual e federal, para aprendizagem de políticas públicas e construção de planos, estratégias, ações voltadas para a adaptação climática e para a promoção dos sistemas agroflorestais essenciais para o território. Enquanto a Conexsus focará no acesso a linhas de crédito com o objetivo de diversificar a renda para os agricultores e agricultoras familiares, fortalecendo as organizações comunitárias, cooperativas e associações produtivas.

    Enquanto a 30° Conferência das Nações Unidas Sobre Mudanças do Clima (COP30) está sendo preparada para acontecer em Belém, capital paraense, o Marajó Resiliente já mostra que soluções pensadas a partir do conhecimento ancestral enraizadas no território e no protagonismo das populações locais, são cruciais para o enfrentamento a crise climática global promovendo a adaptabilidade a essas mudanças por meio da adoção de recuperação de florestas, proteção do solo, produção agroextrativista e inclusão social.

    Fonte: Angola Comunicação

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