Com apresentações em Araguaína, Barra da Aroeira, Porto Nacional e João Pessoa, o espetáculo “Minha Voz é Resistência” reúne música, poesia e reflexões sobre identidade, racismo e protagonismo feminino.
A força da música, da ancestralidade e do protagonismo feminino negro ganha destaque no espetáculo “Minha Voz é Resistência”, do grupo tocantinense Vozes de Ébano. Formado pelas cantoras Cinthia Abreu, Fran Santos e Malusa, o trio inicia, no dia 15 de novembro, uma circulação artística que passará por três localidades do Tocantins e pela capital da Paraíba, João Pessoa.
A primeira apresentação será realizada em Araguaína, no Cine Teatro Artpalco, às 19h. No dia 20 de novembro, Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, o espetáculo chega à Comunidade Quilombola Barra da Aroeira, em Santa Tereza do Tocantins, com entrada gratuita. A programação também contempla Porto Nacional (TO) e João Pessoa (PB), com datas a serem anunciadas.
O projeto reúne mais de duas décadas de experiência musical de cada uma das integrantes e apresenta uma proposta artística que combina música, poesia, dramaturgia e recursos audiovisuais para abordar temas como racismo, identidade, autoestima, ancestralidade e resistência.
Música e poesia dão voz à história das mulheres negras
O espetáculo nasceu das experiências pessoais e profissionais das três cantoras, que encontraram na música uma forma de transformar vivências individuais em uma narrativa coletiva sobre a realidade das mulheres negras brasileiras.
O repertório homenageia artistas que marcaram a história da música nacional, como Elza Soares, Alcione, Dona Ivone Lara, Sandra de Sá, Iza, Margareth Menezes, Liniker e Mariene de Castro.
As interpretações ganham arranjos próprios, harmonizações vocais e elementos cênicos que valorizam a identidade artística de cada integrante.
Entre as canções, textos e referências poéticas de mulheres negras, como Conceição Evaristo, Carolina Maria de Jesus, Victoria Santa Cruz e Bia Ferreira, ampliam as reflexões sobre memória, desigualdade racial, liberdade e pertencimento.
Para Cinthia Abreu, uma das idealizadoras do projeto, a circulação representa a oportunidade de levar essas discussões a novos públicos.
“O espetáculo transforma experiências individuais em uma narrativa coletiva, capaz de promover identificação, acolhimento e reflexão sobre o racismo e a construção de uma sociedade mais igualitária”, afirma.
Apresentação em comunidade quilombola marca o Dia da Consciência Negra
Um dos momentos mais simbólicos da circulação será a apresentação gratuita na Comunidade Quilombola Barra da Aroeira, em Santa Tereza do Tocantins, no dia 20 de novembro.
A atividade será realizada em parceria com a Associação de Moradores da comunidade e busca fortalecer o diálogo entre arte, memória e identidade negra.
Segundo a cantora e produtora cultural Fran Santos, a escolha do território e da data reforça o compromisso social do grupo.
“Levar o espetáculo a um território quilombola nessa data reforça a conexão da obra com a ancestralidade, a memória e a resistência negra. Esse encontro busca promover uma troca de experiências em torno do pertencimento e do direito de existir com dignidade”, destaca.
Em Araguaína, o espetáculo contará com a parceria do Grupo Artpalco. Já em Porto Nacional, está prevista uma apresentação gratuita. A circulação será concluída em João Pessoa, ampliando o intercâmbio cultural entre artistas e coletivos do Tocantins e da região Nordeste.
Três vozes que se encontram na arte e na resistência
Um dos principais diferenciais do Vozes de Ébano está na combinação das identidades musicais das integrantes. Durante o espetáculo, as artistas alternam solos, duetos e interpretações em trio, criando uma experiência que valoriza tanto a individualidade quanto a força da construção coletiva.
A apresentação também incorpora elementos teatrais, poesia e audiovisual. Canções como “A Carne”, conhecida pela interpretação de Elza Soares, ajudam a conduzir reflexões sobre a violência racial e as desigualdades sociais.
Para Malusa, a união das três artistas representa um exercício de cumplicidade e valorização mútua.
“Uma das coisas mais bonitas do Vozes de Ébano é perceber que nenhuma de nós precisa diminuir a própria voz para que a outra apareça. Pelo contrário: quando nossas vozes se encontram, construímos algo que nenhuma faria sozinha”, ressalta.
Trajetória marcada por reconhecimento e apresentações com ingressos esgotados
O espetáculo “Minha Voz é Resistência” estreou em agosto de 2024, no Teatro Sesc Palmas, com duas apresentações que tiveram os ingressos esgotados antecipadamente.
Desde então, o grupo ampliou sua atuação em eventos culturais e espaços de valorização da cultura negra. Ainda em 2024, apresentou-se na Comunidade Quilombola Mumbuca, no Jalapão, durante a Festa da Colheita, e participou do Seminário de Economia Criativa, em Palmas.
Em 2025, o Vozes de Ébano integrou a programação de abertura de uma palestra da escritora Djamila Ribeiro, na capital tocantinense, participou da 43ª Semana da Cultura de Porto Nacional e retornou ao Teatro Sesc Palmas para novas apresentações com ingressos esgotados.
O grupo também esteve entre os finalistas do Prêmio Sebrae Amazônia de Música 2025 e participou da abertura da 5ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, realizada em Brasília.
Outro reconhecimento veio em junho de 2026, quando o projeto foi identificado como experiência de boas práticas da Política Nacional Aldir Blanc, em pesquisa desenvolvida pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), em parceria com o Ministério da Cultura.
A experiência integrou um catálogo apresentado durante o evento “Diálogos sobre o Primeiro Ciclo da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura”, realizado no Rio de Janeiro.
Projeto amplia acesso à cultura e fortalece representatividade
Além das apresentações, a circulação prevê ações voltadas à democratização do acesso à cultura e à inclusão de diferentes públicos.
Nos espetáculos com cobrança de ingressos, 20% da lotação será destinada a cortesias sociais, priorizando coletivos negros, movimentos de mulheres, estudantes e comunidades tradicionais.
Também estão previstas medidas de acessibilidade, incluindo reserva de lugares para pessoas com deficiência e intérpretes de Libras nas apresentações de Araguaína e João Pessoa.
O projeto Circulação Vozes de Ébano é realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), por meio da Secretaria de Estado da Cultura do Tocantins, com realização do Ministério da Cultura e do Governo Federal.
Serviço
Araguaína (TO)
- Data: 15 de novembro de 2026 (domingo)
- Horário: 19h
- Local: Cine Teatro Artpalco/Isca – Espaço Cultural de Araguaína
- Endereço: Avenida Tocantins, nº 182, Setor Central
- Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada)
- Vendas: Plataforma Sympla
- Informações: (63) 99206-3617
Comunidade Quilombola Barra da Aroeira – Santa Tereza do Tocantins (TO)
- Data: 20 de novembro de 2026 (sexta-feira), Dia da Consciência Negra
- Horário: 19h30
- Local: Casa da Cultura da Comunidade Quilombola Barra da Aroeira
- Entrada gratuita
Próximas apresentações
- Porto Nacional (TO): data e local a confirmar; entrada gratuita.
- João Pessoa (PB): data e local a confirmar.
Instagram: @vozesdebano

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