Espetáculo reúne milhares de pessoas e transforma a capital em um grande palco de espiritualidade, arte e encontro coletivo
Na noite em que o silêncio ganha voz e a fé se transforma em imagem, a Praça dos Girassóis se tornou cenário de uma das mais marcantes expressões culturais e religiosas do Tocantins. Na última sexta-feira (3), milhares de pessoas se reuniram em Palmas para acompanhar a 22ª edição da Paixão de Cristo — um espetáculo que ultrapassou a encenação e se consolidou como uma experiência coletiva de espiritualidade, arte e humanidade.
Realizado pela Cia Art’Sacra, em parceria com o Instituto Nativus, o evento reuniu cerca de 7 mil pessoas presencialmente e outras 3 mil por meio da transmissão ao vivo no YouTube. Mais do que números, o que se viu foi uma multidão conectada por sentimentos comuns: fé, reflexão e emoção.
Um espetáculo que mobiliza e transforma
Com mais de 300 pessoas envolvidas entre elenco e equipe técnica, a montagem deste ano reafirmou seu caráter coletivo. Voluntários, artistas e apoiadores se uniram para dar vida a uma narrativa que atravessa gerações.
A apresentação musical do grupo Vozes de Ébano ampliou ainda mais a atmosfera sensível da noite. Para a cantora Malusa, a experiência foi marcante:
“Foi lindo ver aquela multidão tão envolvida — tanto nos bastidores quanto no público. Cada cena era recebida com emoção. Amamos participar.”
Considerado o maior espetáculo a céu aberto do Tocantins e um dos maiores da região Norte, a Paixão de Cristo se firma como uma manifestação cultural de grande alcance e significado.
Emoção que atravessa o público
Cenas intensas, trilha sonora envolvente e uma estética cuidadosamente construída conduziram o público por uma jornada de sentimentos. O silêncio respeitoso que dominava a praça, em diversos momentos, era quebrado por lágrimas, aplausos e orações — sinais de uma conexão profunda entre palco e plateia.
Para o diretor-geral, Valdeir Santana, o espetáculo cumpriu seu propósito maior:
“Ver essa praça cheia, com tantas pessoas unidas por uma mesma energia, mostra o poder transformador da arte. Mais do que um espetáculo, criamos um espaço de encontro, de fé e de humanidade.”
O diretor de elenco, Renato Fontanelli, também destacou a força do coletivo:
“O resultado que vimos é fruto de um processo intenso, feito com entrega e sensibilidade. Trabalhar com um elenco voluntário é desafiador, mas profundamente enriquecedor. A verdade vem justamente dessa entrega.”
Vozes que traduzem o sentimento
Entre os milhares de espectadores, a emoção era visível — e compartilhada.
A professora Maria Aparecida, que acompanha o espetáculo há mais de dez anos, resumiu a experiência com lágrimas nos olhos:
“Cada edição toca de um jeito diferente. Hoje foi muito forte. A gente sai daqui renovada.”
Para o estudante Lucas Ferreira, de 17 anos, que assistiu pela primeira vez, a grandiosidade surpreendeu:
“É muito mais do que teatro. É uma experiência. A gente sente tudo de verdade.”
Já o aposentado João Batista destacou o espírito coletivo:
“Ver tanta gente trabalhando de forma voluntária por uma mensagem como essa é muito bonito. Mostra que ainda existe união.”
Arte, fé e solidariedade
Para além do palco, o espetáculo também reafirma seu compromisso social. A entrada solidária, com a doação de alimentos não perecíveis, resultou na arrecadação de mantimentos que serão destinados a aldeias indígenas, ao projeto Pequeno Cotolengo e a famílias em situação de vulnerabilidade.
Assim, a mensagem encenada se transforma em ação concreta — ampliando o alcance do evento para além da experiência artística.
Um símbolo cultural do Tocantins
Consolidada no calendário cultural de Palmas, a Paixão de Cristo da Cia Art’Sacra se fortalece a cada edição como um dos maiores espetáculos do estado. Mais do que sua dimensão estrutural, é sua capacidade de mobilizar sentimentos, provocar reflexões e fortalecer laços comunitários que a torna única.
Sob o céu de Palmas, o que se viu não foi apenas uma encenação. Foi fé compartilhada. Foi arte viva. Foi humanidade em cena.
Fonte: Cinthia Abreu

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