Paciente de 21 anos é a primeira no estado a receber substância experimental que pode auxiliar na regeneração do sistema nervoso
A saúde pública do Tocantins registrou um marco histórico nesta quinta-feira (2). No Hospital Geral de Palmas (HGP), a jovem Sindy Mirela Santos Silva, de 21 anos, tornou-se a primeira paciente do estado a receber a aplicação da polilaminina — uma substância experimental em estudo com potencial para auxiliar na recuperação de lesões medulares.
A paciente sofreu um grave acidente de carro no dia 11 de janeiro, no trecho entre Novo Alegre e Combinado, que resultou em uma lesão na medula espinhal e em um quadro de paraplegia. Após atendimento inicial no Hospital Regional de Porto Nacional (HRPN), ela foi transferida para o HGP, onde passou a ser acompanhada por uma equipe multiprofissional e submetida a procedimentos cirúrgicos e reabilitação intensiva.
Tratamento experimental e esperança
A polilaminina é uma substância produzida em laboratório a partir da laminina, proteína naturalmente presente no organismo humano. Sua versão sintética busca reproduzir essa estrutura de forma estável, com o objetivo de auxiliar na regeneração de células nervosas e na preservação de tecidos afetados por lesões.
O estudo é conduzido pela cientista Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e ainda se encontra em fase experimental. Resultados iniciais indicam potencial de melhoria na qualidade de vida dos pacientes, embora o tratamento não represente uma cura definitiva.
A participação de Sindy na pesquisa foi possível após avaliação da equipe médica do HGP, que identificou que a paciente atendia aos critérios do estudo, por ainda estar na fase inicial da lesão.
Procedimento inédito no estado
A aplicação da polilaminina foi realizada no setor de hemodinâmica do hospital, com auxílio de tecnologia de imagem para garantir precisão no local da injeção. O procedimento é minimamente invasivo, feito com sedação leve e sem necessidade de cortes.
Segundo especialistas envolvidos, a substância atua diretamente na região lesionada, com a expectativa de estimular a regeneração dos neurônios e preservar células ainda viáveis, podendo contribuir para ganhos de mobilidade e autonomia.
Um trabalho que envolve cuidado e equipe
A realização do procedimento só foi possível graças à atuação integrada de uma equipe multiprofissional, que acompanha a paciente desde o momento do acidente. Médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, psicólogos e outros profissionais atuaram de forma conjunta no processo de estabilização, reabilitação e preparação para o tratamento.
O secretário de Estado da Saúde destacou a importância do Sistema Único de Saúde (SUS) na viabilização de procedimentos de alta complexidade e inovação. A iniciativa reforça o papel do sistema público na promoção de acesso a tecnologias e tratamentos avançados para a população.
Entre desafios e novas possibilidades
Para a família de Sindy, o procedimento representa um novo capítulo marcado pela esperança. Após meses de acompanhamento intensivo, a possibilidade de acesso ao tratamento trouxe renovação emocional e expectativa de avanços na recuperação.
A paciente também destacou o significado do momento, reforçando o desejo de que outras pessoas tenham acesso à mesma oportunidade no futuro.
Um caminho que se abre
Embora o procedimento represente um avanço importante, especialistas reforçam que o tratamento é apenas uma etapa dentro de um processo longo de reabilitação. A continuidade do acompanhamento, especialmente com fisioterapia, será fundamental para a evolução do quadro clínico.
A história de Sindy ainda está em construção, mas já simboliza algo maior: a união entre ciência, cuidado e esperança. Um exemplo de como o sistema público, quando articulado e comprometido, pode abrir caminhos antes considerados impossíveis.
fonte: Secom Tocantins

DEIXE O SEU COMENTÁRIO