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    Empreendedorismo em Foco

    Sebrae alerta pequenos negócios sobre os riscos de misturar finanças pessoais e empresariais

    RedaçãoPor Redação16 de setembro de 20264 minutos de leitura
    Falta de separação compromete a gestão e pode levar dívidas da empresa ao patrimônio dos sócios, alerta advogada Jéssica Farias
     
    Pagar despesas de casa com o cartão da empresa ou usar dinheiro pessoal para cobrir contas do negócio pode parecer uma solução prática. Quando essas movimentações se tornam frequentes e não são registradas, porém, o empreendedor perde a visão da situação financeira da empresa e pode enfrentar problemas contábeis, fiscais e jurídicos.
    O analista do Sebrae Tocantins Francisco Ramos explica que a separação das contas pessoais e empresariais está entre os cuidados básicos para a administração de qualquer negócio. Sem esse controle, torna-se difícil identificar quanto a empresa fatura, gasta e realmente obtém de lucro. “Quando todo o dinheiro fica no mesmo lugar, o empresário perde a visão da realidade do negócio. Ele pode acreditar que tem lucro quando apenas movimenta recursos ou usar valores que seriam destinados ao pagamento de fornecedores, impostos e outras despesas”, afirma.
    A advogada e administradora judicial Jéssica Farias alerta que o problema pode ultrapassar a organização financeira. A empresa possui patrimônio próprio, distinto dos bens de seus sócios. Essa separação limita responsabilidades e oferece segurança à atividade econômica, mas precisa aparecer na prática. “Não basta abrir uma pessoa jurídica e continuar tratando os recursos da empresa como se fossem pessoais. Quando o empresário usa o caixa do negócio como extensão da própria conta, ele enfraquece essa separação e cria elementos que podem demonstrar confusão patrimonial”, explica.
    Nas relações civis e empresariais, o artigo 50 do Código Civil permite a desconsideração da personalidade jurídica quando houver abuso caracterizado por desvio de finalidade ou confusão patrimonial. Se a Justiça reconhecer essa situação, determinadas obrigações da empresa poderão alcançar os bens particulares dos administradores ou sócios beneficiados.
    Entre os sinais de alerta estão o pagamento habitual de despesas pessoais com recursos empresariais, transferências sem justificativa, retiradas sem definição de pró-labore ou distribuição de lucros e o uso de bens da empresa sem documentação.
    O caminho inverso também exige atenção. Quando o proprietário usa recursos próprios para pagar compromissos da empresa, os valores devem ser identificados e registrados como aporte ou empréstimo. Sem a formalização, a movimentação pode distorcer os resultados e dificultar a análise das finanças.
    Francisco orienta que o empreendedor mantenha contas bancárias separadas, estabeleça um pró-labore e registre todas as entradas e saídas. Também deve avaliar quanto pode retirar sem comprometer o capital de giro e a capacidade de pagamento da empresa. “Faturamento não significa dinheiro disponível para uso pessoal. Antes de qualquer retirada, é preciso considerar os custos, os impostos, as dívidas e os recursos necessários para manter o negócio em funcionamento”, destaca.
    Jéssica ressalta que os critérios para alcançar o patrimônio dos sócios podem variar conforme a natureza da relação jurídica. Processos trabalhistas, consumeristas, tributários ou ligados à responsabilidade civil podem seguir regras e fundamentos próprios, sem se limitar aos requisitos previstos no artigo 50 do Código Civil. “Nas relações civis e empresariais, a desconsideração da personalidade jurídica é uma medida excepcional. Em outras áreas, porém, a legislação e o entendimento dos tribunais podem adotar critérios diferentes. Por isso, cada caso precisa ser analisado conforme a obrigação discutida e as circunstâncias apresentadas”, afirma.
    A prevenção passa pelo controle do fluxo de caixa, pela definição do pró-labore e pelo registro de retiradas, reembolsos, aportes, empréstimos e distribuição de lucros. O acompanhamento contábil ajuda a manter as informações financeiras corretas, enquanto a orientação jurídica reduz riscos e permite identificar práticas que podem comprometer a proteção patrimonial.
    Para Francisco, a organização das contas oferece uma base mais segura para as decisões da empresa. Para Jéssica, essa disciplina também demonstra que há uma separação efetiva entre os recursos do negócio e os bens particulares dos sócios.
    “Separar as finanças permite conhecer a realidade da empresa e planejar os próximos passos com mais segurança”, conclui Francisco. “Além de dar transparência à gestão, esse cuidado protege o patrimônio e reduz a possibilidade de um problema financeiro se transformar em uma disputa judicial”, completa Jéssica.
    Fonte: Assessoria de Imprensa do Sebrae Tocantins 

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