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    Lar»Natureza»Financiamento climático ignora comunidades vulneráveis
    Natureza

    Financiamento climático ignora comunidades vulneráveis

    RedaçãoPor Redação23 de janeiro de 20264 minutos de leitura
    Crédito da Foto: Bruno Kelly – Brigada Apinajé

    Manifesto assinado por organizações do Sul Global destaca que respostas já existem nos territórios, mas ainda enfrentam falta de recursos

    Fundos de justiça socioambiental do Sul Global emergem como mecanismos decisivos para enfrentar a crise climática nos países mais impactados por eventos extremos. Essa é a principal mensagem do manifesto “Sul Global no Centro: por uma nova arquitetura de financiamento para Clima, Natureza e Pessoas”, assinado por uma coalizão internacional de organizações e fundos de justiça socioambiental da América Latina, da África e do Sudeste Asiático, articulada no âmbito da Casa Sul Global e liderada pela Rede Comuá e pela Alianza Socioambiental Fondos del Sur. O documento reforça que as soluções mais eficazes frente à crise climática já estão sendo desenvolvidas nos territórios, mas ainda recebem investimentos insuficientes para atuar em escala.

    Em diferentes regiões do Sul Global, comunidades, povos indígenas, populações tradicionais e mulheres lideram respostas concretas de adaptação climática e proteção ambiental. Esses grupos estão na linha de frente da conservação de ecossistemas estratégicos, da segurança alimentar e hídrica e da construção de resiliência frente às mudanças climáticas, mesmo em contextos de desigualdade social e acesso limitado a recursos.

    No Brasil, esse protagonismo se reflete diretamente na proteção de vastos territórios. As Terras Indígenas são responsáveis pela conservação de 97,4 milhões de hectares na Amazônia e no Cerrado, uma área equivalente a 12,4% do território nacional. Já na Amazônia brasileira, 632 territórios quilombolas, que abrigam 2.494 comunidades, somam 3,6 milhões de hectares e armazenam quase um bilhão de toneladas de carbono, tendo perdido apenas 5% de sua cobertura florestal nos últimos 40 anos.

    Além da proteção territorial, mulheres lideram respostas locais que fortalecem a adaptação climática no cotidiano das comunidades. No Sertão do Pajeú, em Pernambuco, a rede de cisternas feitas por mulheres da região garante acesso à água e fortalece quintais produtivos, ampliando a segurança alimentar e a autonomia das famílias. No Norte do país, brigadas comunitárias indígenas de combate a incêndios atuam na prevenção e no enfrentamento do fogo, protegendo territórios e biomas estratégicos.

    Crédito da Foto: Divulgação ISPN

     

    Este protagonismo dos territórios se repete em outras regiões do Sul Global. Em diversos países africanos, comunidades atuam na proteção de nascentes, na recuperação de rios e na garantia de acesso à água potável. No Sudeste Asiático, no Camboja, ações comunitárias preservam florestas, ampliam a segurança alimentar e mantêm práticas tradicionais essenciais à adaptação climática.

    Experiências como essas reforçam um dos pontos centrais do manifesto: as soluções já existem e estão nas comunidades, mas seguem enfrentando barreiras estruturais de financiamento. Apesar do impacto comprovado dessas iniciativas, a maioria dos recursos internacionais destinados ao clima permanece concentrada no Norte Global, o que limita a expansão e a sustentabilidade das respostas locais no Sul Global.

    “Somos um ecossistema diverso de financiamento do Sul Global geopolítico, presentes na Ásia, África e América Latina. Abrangemos múltiplos biomas, idiomas e culturas — e representamos nossos povos, comunidades e movimentos do campo, das cidades, das florestas e das águas”, destaca o manifesto.

    O documento defende que fundos são ferramentas essenciais nesse processo, por atuarem de forma descentralizada, com menor burocracia e maior proximidade das realidades locais. Esse modelo permite que recursos cheguem de forma mais ágil às comunidades, ampliando a autonomia de povos indígenas, populações tradicionais e comunidades periféricas urbanas e rurais.

    “Este é um chamado à ação coletiva para reconstruir a arquitetura de financiamento climático com legitimidade, responsabilidade, justiça, diversidade e solidariedade”, conclui o manifesto.

    Ao defender que o Sul Global seja colocado no centro das decisões, o documento argumenta que não é possível avançar na adaptação climática sem repensar a lógica de como os recursos são destinados. Reforçar fundos comunitários e estruturas filantrópicas territoriais é apontado como um caminho concreto para garantir que o financiamento climático chegue a quem vive e enfrenta a crise todos os dias.

    Sobre A Casa Sul Global

    A Casa Sul Global é uma iniciativa da Rede Comuá e da Alianza Socioambiental Fondos del Sur, em parceria com a Rede de Fundos Comunitários da Amazônia e o movimento #ShiftThePower. É uma plataforma de articulação política, mobilização, produção de conhecimento e colaboração entre atores da filantropia do Sul Global, cujo propósito é influenciar os fluxos de recursos e as dinâmicas de poder em prol da justiça socioambiental, garantindo que as soluções locais estejam no centro das conversas globais sobre o financiamento para clima, natureza e pessoas. Em sua primeira edição, realizada na COP30, reuniu 84 organizações de todo o Sul Global, mobilizando vozes de cerca de 50 países.

     

    Fonte Assessoria de Imprensa Casa Sul Global

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