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    Política

    Ruth Almeida defende políticas permanentes para valorizar cultura, gastronomia e autonomia econômica de povos tradicionais

    RedaçãoPor Redação15 de setembro de 20266 minutos de leitura

     

    Chef de cozinha e candidata a deputada federal propõe ampliar projetos voltados às comunidades quilombolas e aos povos originários, com atenção especial ao empreendedorismo feminino e à preservação dos saberes ancestrais

    A chef de cozinha e candidata a deputada federal Ruth Almeida defende a criação e o fortalecimento de políticas públicas permanentes voltadas à valorização cultural, gastronômica e econômica das comunidades quilombolas e dos povos originários do Tocantins. A proposta parte de uma experiência de mais de dez anos desenvolvendo ações junto a mulheres, lideranças e comunidades tradicionais em diferentes regiões do estado.

    A iniciativa apresentada por Ruth tem como foco o reconhecimento da gastronomia como patrimônio cultural, instrumento de geração de renda e caminho para o fortalecimento da autonomia das comunidades. A chef propõe ampliar o acesso a projetos, formações e oportunidades capazes de valorizar os alimentos, as receitas, os modos de fazer e os conhecimentos transmitidos entre gerações.

    “Há mais de dez anos percorro o Tocantins conhecendo comunidades, aprendendo com suas mulheres e desenvolvendo projetos culturais e gastronômicos. São territórios que possuem conhecimentos valiosos, mas que ainda enfrentam dificuldades para acessar investimentos, estrutura, formação e oportunidades de comercialização”, afirma Ruth Almeida.

    Gastronomia como patrimônio e geração de renda

    A proposta reconhece que a culinária dos povos indígenas, quilombolas e de outras comunidades tradicionais vai muito além da preparação dos alimentos. Ela carrega histórias, identidades, memórias, técnicas ancestrais e relações de cuidado com o território e com a natureza.

    Para Ruth Almeida, proteger essas práticas é também uma forma de preservar a cultura e promover o desenvolvimento econômico das próprias comunidades.

    “Cada receita tradicional conta uma história. Cada ingrediente cultivado, colhido ou beneficiado dentro de uma comunidade representa conhecimento, memória e resistência. Valorizar essa gastronomia é reconhecer a importância das pessoas que mantêm esses saberes vivos”, destaca.

    A chef defende o fortalecimento de projetos que contribuam para a estruturação das atividades produtivas, a qualificação das mulheres, a apresentação adequada dos produtos e a abertura de novos espaços de comercialização, sempre respeitando a autonomia, os modos de vida e as decisões de cada comunidade.

    Protagonismo das mulheres

    Um dos principais eixos da proposta é o incentivo ao empreendedorismo feminino entre mulheres indígenas, quilombolas e integrantes de outros povos e comunidades tradicionais.

    Ruth Almeida ressalta que muitas mulheres já produzem alimentos, farinhas, doces, bebidas, temperos, artesanatos e outros produtos, mas nem sempre possuem acesso às condições necessárias para ampliar a produção e gerar renda de maneira contínua.

    “As mulheres são guardiãs de grande parte dos conhecimentos gastronômicos e culturais das comunidades. Elas plantam, colhem, preparam os alimentos, preservam receitas e garantem o sustento de suas famílias. Precisamos assegurar formação, equipamentos, apoio técnico e condições para que elas transformem esse conhecimento em autonomia financeira”, afirma a chef.

    A proposta prevê o fortalecimento de iniciativas culturais e gastronômicas que ofereçam capacitação, apoio ao planejamento dos pequenos negócios e melhores condições para a exposição e comercialização dos produtos.

    O objetivo, segundo Ruth, não é modificar as práticas comunitárias ou impor modelos externos de empreendimento, mas contribuir para que as próprias mulheres decidam como desejam produzir, organizar e apresentar seus conhecimentos e produtos.

    Conhecimentos tradicionais devem ser respeitados

    Ruth também chama a atenção para a necessidade de proteger os saberes ancestrais, evitando que receitas, técnicas, ingredientes e conhecimentos pertencentes às comunidades sejam utilizados sem reconhecimento, autorização ou retorno para seus verdadeiros detentores.

    “Não podemos falar em valorização cultural sem falar em respeito. Os conhecimentos tradicionais pertencem às comunidades que os preservaram durante gerações. Qualquer projeto precisa ser construído com escuta, participação e reconhecimento do protagonismo dessas pessoas”, pontua.

    Para a candidata, as políticas públicas precisam ser planejadas em diálogo com lideranças, mulheres, jovens, anciãos e organizações representativas dos territórios. Essa participação deve estar presente desde a elaboração dos projetos até a execução, avaliação e prestação de contas das ações.

    Cultura, turismo e desenvolvimento territorial

    Outro ponto defendido por Ruth Almeida é a integração entre gastronomia, cultura, turismo de base comunitária e economia criativa. A proposta busca criar condições para que as comunidades possam apresentar sua produção cultural e gastronômica de maneira responsável, sem transformar suas identidades em produtos ou espetáculos desconectados de seus significados.

    A chef avalia que festivais, feiras, encontros gastronômicos, oficinas, intercâmbios e circuitos culturais podem contribuir para dar visibilidade às comunidades e gerar oportunidades econômicas, desde que sejam conduzidos com participação e consentimento dos povos envolvidos.

    “O Tocantins possui uma riqueza cultural imensa. Temos povos indígenas, comunidades quilombolas e outros grupos tradicionais que guardam histórias, sabores e conhecimentos que precisam ser reconhecidos. Essa riqueza pode gerar desenvolvimento, desde que as comunidades sejam protagonistas e recebam os benefícios produzidos por essas iniciativas”, defende.

    Experiência construída nos territórios

    Ao longo de sua trajetória, Ruth Almeida vem desenvolvendo projetos culturais e gastronômicos voltados à valorização dos ingredientes regionais, ao fortalecimento do empreendedorismo feminino e à geração de renda nas comunidades.

    O trabalho inclui encontros, formações, vivências e ações de valorização dos conhecimentos locais. Essa experiência, segundo Ruth, permitiu compreender que os projetos destinados aos povos tradicionais precisam ter continuidade, acompanhamento e recursos compatíveis com as realidades dos territórios.

    “Não basta realizar uma atividade isolada e depois ir embora. As comunidades precisam de projetos continuados, construídos junto com elas e capazes de deixar resultados concretos. É necessário acompanhar, formar, estruturar e criar caminhos para que as iniciativas continuem gerando renda e fortalecendo a cultura local”, explica.

    Compromisso com políticas públicas permanentes

    A proposta defendida por Ruth Almeida busca ampliar os investimentos públicos destinados às comunidades tradicionais, estimular a inclusão de mulheres indígenas e quilombolas nos programas de qualificação e empreendedorismo e fortalecer iniciativas que relacionem cultura, gastronomia, sustentabilidade e geração de renda.

    A chef também defende maior acesso das comunidades aos editais, programas de fomento e políticas de comercialização, com orientação técnica adequada e procedimentos compatíveis com as especificidades dos territórios.

    “Quero contribuir para que os povos tradicionais e originários tenham acesso a políticas públicas que respeitem suas culturas e fortaleçam seus projetos de vida. A gastronomia pode ser uma importante ferramenta de preservação cultural, geração de renda e autonomia, mas isso precisa acontecer com respeito, escuta e participação das comunidades”, conclui Ruth Almeida.

    Sobre Ruth Almeida

    Ruth Almeida é chef de cozinha e consultora de gastronomia afro-indígena. Há mais de dez anos desenvolve ações culturais, gastronômicas e formativas em diferentes regiões do Tocantins, com atuação voltada à valorização dos ingredientes regionais, dos conhecimentos tradicionais, do empreendedorismo feminino e da geração de renda.

    Como candidata a deputada federal, apresenta entre suas prioridades o fortalecimento das políticas destinadas às mulheres, aos povos originários, às comunidades quilombolas, aos trabalhadores da cultura e aos pequenos empreendedores da gastronomia

     

     

    Fonte: Ascon Ruth Almeida

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